24% de quem diz votar em Lula é de direita, aponta Datafolha

Levantamento mostra que parte do eleitorado dos principais pré-candidatos à Presidência apresenta posicionamento ideológico diferente daquele tradicionalmente associado às candidaturas.

24% de quem diz votar em Lula é de direita, aponta Datafolha

Uma nova pesquisa do Datafolha indica que uma parcela significativa dos eleitores dos principais pré-candidatos à Presidência da República se identifica com campos ideológicos diferentes daqueles normalmente vinculados aos candidatos. Segundo o levantamento, 24% dos entrevistados que afirmam votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram classificados como integrantes da direita ou centro-direita.

Do outro lado, o estudo mostra que 19% dos eleitores que declaram intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro pertencem aos grupos identificados como esquerda ou centro-esquerda.

A classificação utilizada pelo instituto não depende da autodeclaração dos entrevistados. O posicionamento ideológico foi calculado a partir de respostas sobre comportamento, valores sociais e temas econômicos, compondo uma matriz desenvolvida pelo Datafolha para medir a proximidade dos eleitores com diferentes correntes de pensamento.

Entre os apoiadores de Lula, 60% foram classificados entre esquerda e centro-esquerda, enquanto 16% aparecem no centro político e os demais 24% estão distribuídos entre centro-direita e direita.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 64% foram enquadrados entre direita e centro-direita. Outros 17% aparecem como centristas e 19% foram classificados entre esquerda e centro-esquerda.

O levantamento também analisou o comportamento dos entrevistados que declararam voto no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Entre os que afirmam ter votado em Lula naquela disputa, 56% aparecem posicionados entre esquerda e centro-esquerda, enquanto 27% foram classificados como integrantes da direita ou centro-direita.

No grupo dos eleitores que dizem ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, 64% aparecem identificados com a direita ou centro-direita. Outros 19% foram classificados na esquerda ou centro-esquerda e 17% ficaram no centro.

A pesquisa revela ainda que algumas opiniões específicas não acompanham necessariamente o posicionamento ideológico predominante dos candidatos escolhidos pelos eleitores. Entre os entrevistados que apoiam Flávio Bolsonaro, por exemplo, parte declarou ser favorável à proibição da posse de armas. Já entre os eleitores de Lula, uma parcela afirmou considerar que as atuais leis trabalhistas dificultam o crescimento das empresas.

Para construir a matriz ideológica, o Datafolha utilizou 16 perguntas relacionadas a temas como segurança pública, economia, atuação do Estado, políticas sociais, legislação trabalhista, criminalidade, religião e costumes. A metodologia divide os entrevistados em cinco grupos: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda.

O levantamento ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.