Caiado critica condução do governo Lula na segurança pública e reforça intenção de classificar facções como terroristas

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) voltou a colocar o combate ao crime organizado no centro de sua campanha durante agenda em São Paulo neste domingo (20). O ex-governador de Goiás afirmou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta para classificar facções criminosas como organizações terroristas e defendeu uma atuação integrada de inteligência entre as forças de segurança brasileiras e países vizinhos.
Ao comentar a decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, Caiado afirmou que o Brasil deve tomar sua própria decisão sobre o tratamento jurídico dado às facções.
“A decisão brasileira não depende de decisão de europeu e nem de americano. Ela é uma decisão nossa. E eu sei tratar, sei coibir e sei punir bandidos”, declarou.
A proposta faz parte de uma agenda de segurança que o candidato vem apresentando durante a campanha. Caiado também defendeu o fortalecimento do trabalho de inteligência policial e a cooperação com países que fazem fronteira com o Brasil, especialmente aqueles que podem estar envolvidos nas rotas de entrada, produção ou saída de drogas ilícitas.
Segundo o candidato, o país possui estrutura para enfrentar o avanço do narcotráfico, mas seria necessário, em sua avaliação, um maior protagonismo do governo federal no enfrentamento às organizações criminosas.
“O Brasil tem estrutura para combater e poder cada vez mais libertar a população brasileira do narcotráfico. Basta que o presidente não seja conivente, como é o governo do PT, com o narcotráfico”, afirmou.
A declaração foi acompanhada de novas críticas à condução da segurança pública pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Caiado tem utilizado sua experiência à frente do governo de Goiás como referência para defender uma política nacional mais integrada contra as facções.
A classificação de grupos criminosos como organizações terroristas é um dos pontos de divergência entre os candidatos à Presidência. A segurança pública ganhou espaço nas campanhas de 2026, com diferentes propostas para ampliar a atuação federal, fortalecer o sistema penitenciário e combater financeiramente as organizações criminosas.
Caiado também apresentou, nos últimos dias, outras medidas relacionadas ao tema. Entre elas está a proposta de construção de 40 unidades penitenciárias de segurança máxima, distribuídas pelos estados e pelo Distrito Federal, destinadas principalmente ao isolamento de chefes de facções.
O candidato já havia defendido a classificação das facções como terroristas em agosto. Na ocasião, afirmou que pretendia adotar o enquadramento como uma medida de combate ao chamado “terrorismo doméstico”.
Ao abordar novamente o assunto neste domingo, Caiado procurou enfatizar que a iniciativa deveria partir das instituições brasileiras, independentemente da decisão tomada por governos estrangeiros. A posição ocorre em meio à discussão internacional sobre o PCC e o Comando Vermelho e ao aumento da pressão sobre o Brasil para ampliar a cooperação contra o tráfico internacional de drogas.
A agenda de Caiado em São Paulo incluiu uma caminhada pela Avenida Paulista e contato com apoiadores. O candidato estava acompanhado do candidato a vice-presidente Gilberto Kassab (PSD) e da candidata a deputada estadual Mara Gabrilli.