Campanha de Lula vai ao TSE contra Flávio Bolsonaro por rede articulada de postagens no Instagram

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma nova disputa envolvendo o uso das redes sociais nas eleições de 2026. A coligação do presidente protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), alegando que uma rede de perfis no Instagram teria sido utilizada de forma coordenada para ampliar o alcance de conteúdos favoráveis ao senador.
Segundo a petição apresentada à Corte, o monitoramento realizado pela equipe digital da campanha de Lula identificou 1.826 publicações feitas por meio do recurso de coautoria, conhecido como collab, envolvendo 492 perfis. Desse total, 1.334 publicações teriam sido concentradas em apenas dez dias, entre 8 e 17 de setembro.
O recurso do Instagram permite que uma mesma publicação apareça simultaneamente nos perfis dos usuários que participam como coautores, ampliando potencialmente o público alcançado. A alegação apresentada pela campanha petista é que a utilização coordenada desse mecanismo poderia reproduzir, na prática, o efeito de um impulsionamento, sem que a contratação e os responsáveis pela divulgação aparecessem necessariamente como publicidade eleitoral convencional.
A representação também cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. A coligação de Lula sustenta que a estrutura investigada pode configurar abuso de poder econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação social. As acusações, porém, ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam uma conclusão sobre eventual irregularidade.
Outro ponto levantado na ação envolve a possível monetização de conteúdos relacionados à campanha. De acordo com a petição, 12 perfis que, somados, ultrapassariam 10 milhões de seguidores direcionariam usuários para uma mesma loja virtual que comercializa produtos associados à candidatura de Flávio, entre eles um boné identificado pelo número 22. A campanha de Lula pede que a origem desses vínculos seja investigada.
A representação solicita ao TSE que a Meta, controladora do Instagram, e a plataforma de comércio eletrônico preservem registros relacionados às publicações e identifiquem os responsáveis pelos perfis mencionados. A coligação também pede a suspensão dos links de venda e, no mérito da ação, a cassação dos registros da chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, além da declaração de inelegibilidade dos investigados pelo período de oito anos.
O caso ocorre em meio a uma disputa crescente entre as principais campanhas presidenciais pelo controle da comunicação digital. Em julho, a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia recorrido ao TSE para denunciar perfis que, segundo seus advogados, teriam sido criados para divulgar conteúdo contrário ao senador e chegaram a contratar anúncios de valores elevados.
A nova representação apresentada pela campanha de Lula amplia esse embate para a forma como conteúdos políticos são distribuídos organicamente pelas plataformas. O ponto central que deverá ser examinado pela Justiça Eleitoral é se as publicações identificadas correspondem a manifestações espontâneas de apoiadores ou se houve uma estrutura organizada de divulgação vinculada à campanha, com eventual descumprimento das regras eleitorais.
O TSE já analisou neste ano casos envolvendo redes coordenadas de perfis. Em junho, por exemplo, a Corte determinou a remoção de publicações distribuídas por diversos perfis que associavam Flávio Bolsonaro a organizações criminosas. Na ocasião, a decisão considerou que as acusações divulgadas não apresentavam comprovação suficiente e determinou a retirada do material.
A nova ação, portanto, deverá colocar novamente no centro do debate eleitoral a relação entre campanhas, perfis de apoio, plataformas digitais, publicidade e financiamento de conteúdo político. Caberá à Justiça Eleitoral verificar os dados apresentados, identificar eventuais responsáveis e determinar se houve ou não violação das regras que disciplinam a propaganda na internet durante as eleições de 2026.