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Governador petista da Bahia usou helicóptero que ex-sócio de Vorcaro disponibilizou para Jaques Wagner

Por Brasil no Centro Publicado em 21 de setembro de 2026 às 00:56 4 min de leitura
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Governador petista da Bahia usou helicóptero que ex-sócio de Vorcaro disponibilizou para Jaques Wagner

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), utilizou durante uma agenda de campanha, em 30 de agosto, um helicóptero que aparece em um relatório da Polícia Federal relacionado a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A aeronave também é mencionada pela PF em uma apuração envolvendo o senador Jaques Wagner (PT).

O voo ocorreu entre os municípios de Castro Alves e Itatim. Jerônimo estava acompanhado de Rui Costa (PT) e Jaques Wagner, ambos integrantes da chapa que disputa as eleições na Bahia. O helicóptero utilizado é um Bell 206L-4, de prefixo PT-YNB, registrado em nome da empresa RG8 Táxi Aéreo Ltda.

A mesma aeronave havia sido citada anteriormente em um relatório da Polícia Federal divulgado em junho. Segundo a investigação, Augusto Lima teria disponibilizado o helicóptero para Jaques Wagner e sua mulher em outubro de 2023, em um deslocamento para a região da Ilha da Paixão, nos arredores de Salvador, onde Lima possui uma propriedade.

Mensagens encontradas no celular de Lima foram utilizadas pela PF para sustentar que o empresário e Wagner haviam conversado sobre a viagem. Em uma das mensagens, Lima teria encaminhado ao senador o prefixo da aeronave que seria utilizada no deslocamento. Wagner, porém, nega ter feito a viagem para a ilha no helicóptero mencionado na investigação.

A coincidência entre os dois episódios passou a chamar atenção porque envolve a mesma aeronave, mas em momentos distintos. No caso mais recente, relacionado à campanha de Jerônimo, o governo baiano afirma que não houve cessão particular do helicóptero por Augusto Lima. Segundo a administração estadual, a aeronave foi contratada diretamente da empresa de táxi aéreo responsável pelo serviço.

A prestação de contas da campanha de Jerônimo registra um pagamento de R$ 207,5 mil à RG8 Táxi Aéreo em 16 de agosto. O governo afirma que as despesas relacionadas ao transporte aéreo foram declaradas à Justiça Eleitoral.

A defesa de Augusto Lima também rejeitou qualquer associação entre o empresário e o voo realizado pelo governador. Os advogados argumentam que o helicóptero pertence a uma empresa de táxi aéreo e pode ser utilizado por diferentes clientes em períodos distintos. Para a defesa, o fato de a aeronave ter sido utilizada em ocasiões diferentes não estabelece, por si só, vínculo entre Lima e a campanha eleitoral.

O episódio ocorre em meio às investigações da Polícia Federal sobre relações financeiras e pessoais envolvendo empresários ligados ao Banco Master e diferentes figuras políticas. Entre os elementos analisados pela corporação estão mensagens, movimentações financeiras e contatos mantidos por Augusto Lima com políticos e pessoas próximas a eles.

No caso de Jerônimo Rodrigues, não há, nas informações divulgadas até o momento, indicação de que o pagamento feito à empresa de táxi aéreo tenha sido considerado irregular pela Justiça Eleitoral. A principal questão revelada agora é a utilização, em uma agenda de campanha, da mesma aeronave que já havia aparecido em outro episódio investigado pela Polícia Federal.

O governo baiano e a defesa de Augusto Lima sustentam, portanto, que a contratação ocorreu de maneira regular e que não existe vínculo entre o empresário e o transporte utilizado na campanha. Já as informações reunidas pela PF sobre o uso anterior do helicóptero fazem parte de uma investigação mais ampla, que continua em andamento.