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Polícia Federal revela que lobista amiga de Lulinha tinha malas de dinheiro e pagou funcionários do governo

Por Brasil no Centro Publicado em 23 de setembro de 2026 às 13:26 5 min de leitura
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Polícia Federal revela que lobista amiga de Lulinha tinha malas de dinheiro e pagou funcionários do governo

A Polícia Federal identificou mensagens e comprovantes de pagamentos que colocam a lobista Roberta Luchsinger no centro de novas apurações sobre relações financeiras e negociações envolvendo integrantes do governo federal. Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Roberta é investigada em três inquéritos por suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

Segundo o material analisado pelos investigadores, Roberta teria orientado seu motorista e auxiliar pessoal, Ulisses Barbosa, a realizar pagamentos que somaram R$ 60 mil para três contas. Entre os destinatários estavam Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta. A terceira conta seria de uma parente de Martinho.

As conversas indicam que os recursos estavam em dinheiro vivo na residência da lobista. Em uma das mensagens, o motorista demonstra preocupação com a movimentação bancária e afirma que valores superiores a R$ 50 mil poderiam gerar alertas. A orientação recebida foi para distribuir os R$ 60 mil entre diferentes contas.

A PF encontrou também comprovantes dos depósitos e relacionou os pagamentos a outras movimentações investigadas no entorno de Roberta. O Ministério do Desenvolvimento Social fechou, seis meses depois dos pagamentos mencionados, um contrato com um empresário do setor de tecnologia representado pela lobista. A relação entre os pagamentos e o contrato é parte das circunstâncias que estão sendo examinadas pela investigação e não representa, por si só, comprovação de irregularidade no contrato.

Dinheiro em malas aparece nas mensagens

O material apreendido pela Polícia Federal também registra outras referências a grandes quantias mantidas em espécie. Em março de 2023, segundo as mensagens analisadas, Ulisses informou a Roberta que havia R$ 500 mil guardados em malas. Na sequência, ela teria determinado a entrega de R$ 193 mil a Fernando Bittar, empresário que manteve relação societária com Lulinha.

A defesa de Bittar negou conhecimento sobre a mensagem e afirmou que ele desconhece o contexto e a origem dos valores mencionados. A manifestação é relevante porque a investigação ainda busca esclarecer o significado das conversas e a eventual destinação dos recursos.

A PF também identificou que, entre 2022 e 2025, a empresa de Roberta transferiu quase R$ 2,3 milhões para a conta de Ulisses. As movimentações fazem parte do conjunto de informações financeiras analisadas pelos investigadores.

Lobista também é investigada por pagamentos a ex-assessor de Lula

As novas informações se somam a outros pagamentos já identificados pela Polícia Federal. Em agosto, a investigação revelou que Roberta teria arcado com aproximadamente R$ 217 mil em despesas atribuídas a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula.

Segundo os investigadores, os pagamentos incluíram faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo, consórcio e outras despesas. A defesa de Marcola afirmou que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal e negou que ele tenha intermediado negociações ou encaminhado documentos relacionados a compras e licitações do governo.

A investigação também identificou movimentações em dinheiro vivo realizadas por Roberta em outros episódios. Em 2025, por exemplo, a PF registrou duas coletas de dinheiro em espécie, de R$ 100 mil e R$ 200 mil, e apontou que parte do montante teria sido utilizada para pagar uma agência de viagens responsável por passagens de Lulinha e da própria lobista.

Três inquéritos investigam relações de Roberta e Lulinha

As apurações envolvendo Roberta e Lulinha tiveram origem em elementos encontrados durante a Operação Sem Desconto, investigação que apura suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões do INSS. A partir das buscas e quebras de sigilo, foram instaurados três inquéritos sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal.

As investigações apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Um dos eixos envolve a atuação da lobista em negociações com órgãos públicos e interesses de empresários. A PF também investiga a hipótese de que Roberta e Lulinha tenham mantido uma espécie de sociedade não formalizada em determinados negócios.

A empresa 3Structure, ligada a um empresário representado por Roberta, firmou contratos de dezenas de milhões de reais com órgãos públicos. Entre eles está um contrato com o Ministério do Desenvolvimento Social, firmado em dezembro de 2023, cujo valor previsto, considerando aditivos e novo acordo, chegou a R$ 53,1 milhões até 2031, segundo levantamento divulgado anteriormente. A empresa afirma que todos os contratos foram celebrados de acordo com as normas aplicáveis às contratações públicas e sem favorecimento.

Defesas contestam suspeitas

A defesa de Lulinha afirmou que não há relação de seu cliente com os pagamentos mencionados e questionou a autenticidade das conversas. Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer envolvimento com irregularidades, desvios ou suspeitas relacionadas a dinheiro público.

A defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou sobre os novos elementos, mantendo a posição anterior de que não comentaria informações de investigação submetida a sigilo. O Ministério do Desenvolvimento Social também não havia apresentado manifestação até a publicação da reportagem de origem.

As informações obtidas pela Polícia Federal ainda integram investigações em andamento. Os pagamentos, as movimentações em espécie e as relações com contratos públicos terão de ser confrontados com outros documentos e depoimentos antes de qualquer conclusão sobre eventual prática criminosa.