Aliados de Lula buscam Kassab por neutralidade do PSD no 2˚ turno presidencial

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalha com a possibilidade de uma disputa de segundo turno e busca ampliar o espaço de diálogo com forças políticas que podem permanecer sem candidato na etapa decisiva da eleição. Entre os movimentos em discussão está uma tentativa de aproximação com o PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, e com o grupo do candidato Augusto Cury (Avante).
A movimentação ocorre em um cenário de disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Na pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro, Lula apareceu com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio. Augusto Cury registrou 6%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) marcou 4%, Renan Santos (Missão) teve 3% e Romeu Zema (Novo), 2%.
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio, o levantamento apontou 46% para o presidente e 44% para o senador, resultado considerado empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
PSD entra no radar da articulação
Um dos principais movimentos avaliados pelos aliados de Lula envolve o PSD. O partido tem Ronaldo Caiado como candidato à Presidência, mas a avaliação no entorno do presidente é que um eventual acordo nacional com a legenda poderia abrir espaço para uma posição de neutralidade no segundo turno.
Nesse cenário, o interlocutor central seria Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e vice na chapa de Caiado. A eventual neutralidade nacional da legenda também poderia facilitar conversas entre o governo e lideranças pessedistas nos estados, onde parte dos integrantes do partido já mantém alianças eleitorais diferentes das definidas nacionalmente.
Caiado aparece com 4% na pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, seu eleitorado não se comporta de maneira uniforme diante de um eventual segundo turno. A pesquisa divulgada nesta quarta-feira (23) mostrou que, entre os eleitores que declararam voto no governador de Goiás no primeiro turno, Flávio Bolsonaro registra 43% no segundo turno, contra 30% de Lula. A margem de erro desse recorte é de oito pontos percentuais.
Cury também é alvo de aproximação
Outro grupo que passou a integrar as conversas é o de Augusto Cury. O candidato do Avante aparece como terceiro colocado nas pesquisas mais recentes, com 6% no Datafolha, e tem afirmado que não pretende apoiar nem Lula nem Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.
Mesmo diante da sinalização de neutralidade, aliados de Lula procuram estabelecer canais de diálogo com pessoas próximas ao candidato. O objetivo é ampliar a interlocução com um eleitorado que não se identifica diretamente com os dois principais polos da disputa presidencial.
O Datafolha também mediu o comportamento dos eleitores de Cury em uma eventual segunda rodada. Entre eles, Flávio aparece com 41%, Lula com 35%, enquanto 23% optam por branco ou nulo. Como a margem de erro desse segmento é de seis pontos percentuais, os resultados configuram empate técnico entre os dois candidatos.
Eleitores de candidatos alternativos podem decidir disputa
O levantamento do Datafolha mostra que os votos dos candidatos que não estão entre os dois primeiros colocados podem ter peso relevante na segunda etapa. Considerando conjuntamente os eleitores de Cury, Caiado, Zema e Renan Santos, Flávio Bolsonaro registra 43% das intenções de voto, contra 30% de Lula. Outros 26% afirmam votar branco, nulo ou em nenhum dos dois.
A pesquisa, no entanto, aponta margens de erro maiores nos recortes específicos desses grupos por causa do tamanho das amostras. No conjunto dos eleitores dos quatro candidatos, a margem chega a dez pontos percentuais.
O cenário geral permanece apertado. No segundo turno entre Lula e Flávio, o Datafolha registra 46% para o presidente e 44% para o senador, com 8% de votos brancos ou nulos e 1% de indecisos.
Avante já possui interlocução com aliados de Lula
A tentativa de aproximação com o grupo de Cury também encontra pontos de contato na estrutura partidária. O Avante possui integrantes que participam de alianças com o grupo político de Lula em diferentes estados.
Na Bahia, por exemplo, o presidente estadual da legenda, Ronaldo Carletto, é primeiro suplente na chapa de Rui Costa (PT) ao Senado. A relação entre os partidos, portanto, não se limita à disputa presidencial e inclui alianças construídas regionalmente.
Com pouco mais de uma semana para a votação, as articulações em torno de um eventual segundo turno passam a ganhar importância. Além da disputa direta entre Lula e Flávio, partidos e candidatos que permanecem fora dos dois primeiros lugares precisam definir se apoiarão algum dos concorrentes, adotarão neutralidade ou deixarão a decisão para seus eleitores.