Flamengo solta nota criticando Lula e contra a proibição das bets no Brasil

O Flamengo divulgou nesta sexta-feira (25) uma nota contra a intenção do governo de proibir as apostas online no Brasil. No texto, intitulado “Proibir não acaba com o jogo”, o clube defende regras mais rígidas para as empresas autorizadas, mas afirma que retirá-las do mercado pode abrir espaço para plataformas clandestinas. A manifestação ocorre no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu assinar uma medida provisória sobre o setor.
Para o Flamengo, uma proibição também afetaria contratos firmados sob as regras atuais. “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirmou o clube. A nota cita possíveis efeitos sobre o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino e outras modalidades esportivas.
O clube sustenta ainda que parte expressiva das apostas já ocorre fora das plataformas autorizadas. Com base em levantamento do Instituto Locomotiva e estimativa da LCA Consultores, afirma que o mercado clandestino respondeu por 38% a 44% do valor apostado online no primeiro semestre de 2026. Trata-se de uma estimativa usada pelo Flamengo para fundamentar sua posição, não de uma medição oficial de todas as apostas realizadas no país.
Os patrocínios ajudam a explicar o impacto que uma mudança teria nas contas do futebol. Segundo levantamento da Sports Value citado pelo Poder360, o Flamengo recebeu R$ 269 milhões de empresas de apostas em 2025. O valor correspondeu a metade de sua receita de marketing naquele ano. Para o conjunto dos 20 maiores clubes brasileiros, a consultoria calculou cerca de R$ 1,1 bilhão em patrocínios do setor.
Lula tem defendido o fim das bets ao relacionar as apostas ao endividamento das famílias. O anúncio do governo estava previsto para esta sexta-feira, mas a extensão das restrições e seus prazos de aplicação dependem do texto oficial da medida provisória. Até sua publicação, as plataformas autorizadas continuam submetidas às regras em vigor.