Funcionária da prefeitura de Recife faz pesquisa falsa contra Raquel Lyra

Uma funcionária da Prefeitura do Recife foi filmada abordando mulheres em uma loja para perguntar o que pensavam de uma declaração da governadora Raquel Lyra (PSD) sobre laqueadura. Maria José de Santana, identificada pela Folha de S.Paulo como gestora lotada no gabinete do prefeito, apresentou-se como integrante de um “instituto em defesa da mulher” e disse que a abordagem não tinha relação com política.
A conversa girou em torno de um vídeo gravado em 2025, no qual Raquel sugeriu que uma paciente fosse submetida a uma laqueadura sem seu conhecimento. A gravação veio a público neste mês, durante a campanha pela reeleição da governadora. Raquel reconheceu que a fala foi equivocada e pediu desculpas. Não há informação de que o procedimento tenha sido realizado.
No vídeo da abordagem em Recife, Maria José pergunta às mulheres se haviam visto a declaração e como avaliavam a postura de Raquel. A reação não foi a esperada por quem pretendia obter críticas à governadora. Uma das mulheres afirmou que discordava da fala sobre laqueadura, mas a classificou como um ato falho. Ela também questionou por que aquela conversa estava acontecendo às vésperas da eleição, em vez de tratar de outros problemas enfrentados pelas mulheres. Outra entrevistada saiu em defesa de Raquel ao mencionar a situação de vulnerabilidade da paciente citada no episódio.
O episódio ocorre em meio à disputa pelo Governo de Pernambuco. O principal adversário de Raquel é o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), aliado do atual prefeito, Victor Marques (PCdoB). O vínculo da funcionária com o gabinete municipal e sua afirmação de que a abordagem não tinha caráter político levantam questionamentos sobre o objetivo da ação. A reportagem divulgada até agora não demonstra, porém, que ela tenha agido por determinação da prefeitura ou da campanha de João Campos.
Procurada pela Folha, a Prefeitura do Recife informou que disponibiliza aos servidores as normas de conduta para o período eleitoral e que eventuais descumprimentos serão apurados. A administração municipal não esclareceu, na resposta publicada, a qual instituto Maria José se referia nem se a abordagem fazia parte de alguma atividade autorizada.