Na reta final, Celina falta ao debate da Globo no Distrito Federal

A governadora Celina Leão (PP) não participou do debate da TV Globo para o governo do Distrito Federal, realizado na noite desta terça-feira (29). A ausência, comunicada à emissora no mesmo dia, não impediu que sua gestão fosse alvo de cobranças, principalmente sobre os prejuízos do Banco de Brasília (BRB) nas operações com o Banco Master.
Segundo a campanha, Celina decidiu não comparecer por considerar que enfrentaria uma exposição desnecessária a cinco dias do primeiro turno. Sua equipe também argumentou que as regras não permitiriam pedir direito de resposta durante confrontos entre outros candidatos, o que poderia transformar o encontro em uma sequência de ataques à governadora.
Participaram do debate Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo). A presença do candidato do Novo foi garantida por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Paula concentrou parte de suas críticas na falta de informações sobre a situação financeira do BRB. A deputada distrital afirmou que o balanço do banco ainda não havia sido publicado e cobrou esclarecimentos sobre o impacto das operações com o Master. Também disse que já havia alertado para o risco de a população assumir o custo dos prejuízos.
“Como você vai votar em algo que você não sabe?”, questionou a candidata.
O governo distrital é o maior acionista do BRB. Desde que o caso Master veio à tona, a falta de divulgação dos resultados financeiros passou a alimentar cobranças sobre a dimensão das perdas e as medidas necessárias para recuperar o banco.
Grass utilizou a possibilidade de dirigir perguntas a candidatos ausentes para cobrar explicações de Celina. O petista também afirmou que R$ 120 milhões do Fundo de Saúde haviam sido transferidos de uma conta no Banco do Brasil para aplicação em CDBs do BRB. Durante o debate, atribuiu à movimentação a intenção de melhorar artificialmente a situação financeira da instituição. A alegação foi apresentada pelo candidato.
Cappelli questionou a relação de Celina com a administração de Ibaneis Rocha (MDB), de quem ela foi vice-governadora no período em que o BRB decidiu comprar o Master. O candidato contestou as declarações de desconhecimento sobre a operação.
O vínculo com a gestão anterior também envolve Gustavo Rocha (Republicanos), candidato a vice na chapa de Celina. Ele ocupou o cargo de secretário-chefe da Casa Civil durante o governo Ibaneis.
Para recompor o caixa do BRB, a governadora tem defendido um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo a reportagem da Folha, a operação enfrentou resistência de grandes bancos que participariam como fiadores. O valor definitivo dos prejuízos ainda não havia sido divulgado.
O encontro também ocorreu sem José Roberto Arruda (PSD), cujo registro de candidatura foi barrado pelo TSE em razão de condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora.
Na pesquisa Quaest divulgada na terça-feira, Celina aparece com 39% das intenções de voto, seguida por Grass, com 23%. Paula registra 9%, Cappelli tem 3% e Caputo, 2%. O levantamento foi contratado pela TV Globo e registrado no TSE sob o número DF-02515/2026.