MPF investiga Luciano Huck e Globo após divulgação de “tinder eleitoral”

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul abriu uma investigação para apurar se Luciano Huck e a TV Globo descumpriram a legislação eleitoral ao divulgar a plataforma TemMeuVoto durante o programa Domingão com Huck. A ferramenta foi apresentada ao vivo no domingo, 27 de setembro, uma semana antes do primeiro turno.
O procedimento teve origem em uma representação da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) à Procuradoria-Geral Eleitoral. A parlamentar levou ao órgão questionamentos sobre os resultados oferecidos pelo site e sua divulgação em televisão aberta.
Apresentada como uma espécie de “tinder eleitoral”, a plataforma compara respostas dos usuários com posições atribuídas às candidaturas. Durante o programa, Huck explicou que o eleitor responde a um questionário sobre oito temas e recebe percentuais de afinidade com candidatos a deputado estadual, deputado federal e senador.
Segundo o apresentador, a base reúne quase 20 mil candidaturas. Huck descreveu o serviço como apartidário e afirmou que a escolha permanece com o eleitor, sem indicação direta de candidato ou pedido de voto.
A contestação envolve relatos publicados nas redes sociais por usuários, candidatos e políticos. Eles alegam que a ferramenta apresenta resultados concentrados em nomes da direita e da extrema-direita. Essa suspeita integra os questionamentos levados ao Ministério Público e não corresponde a uma conclusão da investigação.
Em resposta, o TemMeuVoto negou favorecer legendas ou recomendar votos. A plataforma afirmou que sua metodologia é pública e que as candidaturas são submetidas aos mesmos critérios de comparação.
A apuração deverá examinar se a divulgação do serviço no programa de televisão infringiu as regras eleitorais. A abertura do procedimento não representa uma condenação do apresentador, da emissora ou da plataforma.
O caso chega ao Ministério Público na última semana de campanha, quando ferramentas de consulta e conteúdos sobre candidatos ganham espaço entre os eleitores que ainda procuram informações para definir o voto.