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Dino manda PF investigar ataques a igrejas e terreiros em sete estados

Por Brasil no Centro Publicado em 30 de setembro de 2026 às 16:14 5 min de leitura
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Dino manda PF investigar ataques a igrejas e terreiros em sete estados

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal investigue ataques contra imagens e espaços religiosos em diferentes regiões do Brasil. Os relatos incluem esculturas católicas destruídas, incêndio em um local de oração e vandalismo em terreiros de religiões de matriz africana.

A Procuradoria-Geral da República também deverá avaliar as providências cabíveis. Segundo Dino, as informações encaminhadas ao gabinete indicam uma “aparente onda de ataques”, com possíveis crimes de preconceito religioso, dano, furto, incêndio e ofensa a práticas religiosas. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias e os responsáveis pelos episódios.

Os dez casos reunidos ocorreram em sete estados, entre março e setembro. Embora a determinação tenha sido anunciada durante a controvérsia eleitoral sobre Nossa Senhora Aparecida, parte dos ataques aconteceu meses antes. A decisão não estabelece que exista uma ação coordenada nem que os episódios tenham ligação com a disputa presidencial.

Em Mato Grosso, dois relatos envolvem imagens da padroeira do Brasil. Na sexta-feira (25), uma escultura foi encontrada sem a cabeça na Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá. Ainda não havia informações sobre a autoria ou as circunstâncias do dano.

O outro episódio ocorreu em 7 de março, em Jauru. Um homem de 47 anos foi detido após danificar com um machado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada em uma pequena capela na entrada da cidade. Conforme o relato citado na decisão, ele teria atribuído a ação a uma ordem de espíritos.

A Bahia concentra três dos casos mencionados. Em Salvador, fiéis encontraram uma imagem de Nossa Senhora das Graças destruída no adro da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Milagres, no bairro de Matatu, em 11 de setembro. A Polícia Civil recebeu o registro da ocorrência e imagens de câmeras de segurança.

Também na capital baiana, uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi retirada de um altar e quebrada dentro da Igreja Matriz da Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado, em Plataforma, no dia 22. O episódio foi registrado pela Polícia Civil e ganhou repercussão nas redes sociais nos dias seguintes.

No distrito de Acupe, em Santo Amaro, um assentamento de Exu instalado na entrada de um terreiro foi destruído em 4 de agosto. A responsável pelo espaço denunciou a suposta participação de um pastor. O local sofreu outro episódio de vandalismo naquele mês, e ninguém havia sido preso até a data da decisão.

Em Minas Gerais, um terreiro de umbanda em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi atacado em 3 de agosto. Imagens de orixás foram destruídas, plantas e oferendas foram danificadas e objetos acabaram furtados. A Polícia Militar foi acionada.

No Paraná, uma loja de artigos religiosos no centro de Londrina sofreu o terceiro ataque em seu endereço na madrugada de 1º de setembro. Câmeras registraram um homem danificando imagens de São Miguel Arcanjo, Nossa Senhora de Lourdes, Santa Luzia e Carlo Acutis. A Polícia Civil busca identificar o responsável.

Outros relatos envolvem uma catedral no Rio Grande do Sul e uma imagem em Alagoas. Em Rio Grande, um homem derrubou duas esculturas de anjos dentro da Catedral de São Pedro em 29 de agosto, pouco antes de uma missa de Crisma. Em Maceió, a base de uma imagem de Nossa Senhora das Graças foi quebrada no bairro da Jatiúca. A paróquia divulgou uma nota de repúdio em 6 de agosto, e a Polícia Civil passou a investigar.

No Pará, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi destruída por um incêndio às margens da BR-163, perto de Novo Progresso, na noite de 1º de agosto. Segundo as informações reunidas por Dino, os responsáveis romperam o cadeado do local e utilizaram pneus e combustível para alimentar as chamas. O espaço era usado para orações por moradores e viajantes.

A investigação foi determinada após o ministro receber relatos de ataques na sequência de sua decisão de domingo (27), que liberou publicações relacionadas à controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida.

O caso eleitoral envolve conteúdos que atribuíram ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar da santa o título de padroeira do Brasil. O candidato negou a informação. André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia ordenado a remoção das publicações que apresentavam essa alegação como verdadeira.

Dino suspendeu a medida, mas Luiz Fux voltou a restabelecer seus efeitos na segunda-feira (28). A apuração dos ataques físicos a símbolos e espaços religiosos deverá esclarecer cada ocorrência, sem presumir uma relação com essa disputa judicial.