Simões relata oferta de propina de R$ 10 milhões e aliado de Cleitinho nega

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), apresentou um relato sobre a suposta oferta de R$ 10 milhões em propina que atribuiu ao deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), presidente estadual do partido e aliado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A acusação foi feita durante o debate da TV Globo, na terça-feira (29), e detalhada em documento divulgado no dia seguinte. Pettersen nega que a conversa tenha ocorrido.
Segundo reportagem da Itatiaia, que teve acesso ao material elaborado por Simões, o documento descreve contatos entre fevereiro de 2024 e julho de 2026. O relato reúne pedidos relacionados a uma nomeação no Judiciário, à contratação de serviços de gestão de consignados e a negociações eleitorais. A emissora também recebeu capturas de mensagens entre o governador e o deputado.
A acusação central se refere a um encontro em Trancoso, na Bahia, em 23 de novembro de 2024. Simões, então vice-governador, afirma que Pettersen o procurou durante um evento social para cobrar a contratação de uma empresa privada para serviços de consignados.
Conforme a versão do governador, ao ouvir que o estado não tinha interesse na contratação, o deputado teria oferecido R$ 10 milhões. Simões sustenta que Pettersen posteriormente mencionou a possibilidade de pagamento anual e que a proposta foi recusada.
O assunto, segundo o documento, havia chegado ao governo meses antes. Em julho de 2024, Pettersen teria intermediado o contato de Saulo de Tasso Dino, apresentado como representante associado à Fictor, para oferecer soluções tecnológicas de registro de consignados.
A demanda foi encaminhada à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. O relato afirma que o serviço já era executado pela Prodemge, empresa de tecnologia do governo mineiro, e que não havia interesse em abrir uma licitação.
Simões declara ter comunicado a suposta oferta ao controlador-geral do estado, Rodrigo Fontenelle, e ao secretário-geral, Marcel Beghini, em 11 de dezembro de 2024. De acordo com o documento, a avaliação técnica e jurídica teria considerado inviável avançar com uma representação policial, diante da ausência de testemunhas diretas e do bloqueio preventivo de qualquer contratação.
Essa conclusão é apresentada no relato do governador. Pettersen questiona a existência de um registro formal da comunicação e afirma que cobrará sua comprovação na Justiça.
O documento também descreve uma abordagem anterior, em fevereiro de 2024, relacionada à escolha de um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Segundo Simões, o deputado teria defendido o nome do advogado Fábio Silveira e oferecido, em contrapartida, sua influência sobre as decisões eleitorais de Cleitinho.
O governador afirma que ele e Romeu Zema (Novo), então chefe do Executivo estadual, recusaram a indicação após receberem informações desfavoráveis ao advogado. As alegações constam da versão apresentada por Simões.
Na cronologia, o governador registra ainda que teria contado o histórico a Cleitinho em 17 de junho de 2025, durante uma agenda em Brasília, e recomendado que o senador se afastasse de Pettersen.
O último encontro mencionado teria ocorrido em 7 de julho de 2026, com intermediação de Marcelo Aro (PP). Segundo Simões, Pettersen apresentou condições para a retirada da pré-candidatura de Cleitinho ao governo: indicação do vice, participação do Republicanos na administração estadual e retirada da candidatura de Carlos Viana (PSD) ao Senado.
Em entrevista à Itatiaia nesta quarta-feira (30), Pettersen rejeitou as acusações. “Essa conversa nunca aconteceu”, afirmou.
O deputado argumentou que, caso tivesse recebido uma oferta de propina, Simões deveria ter acionado imediatamente os órgãos responsáveis. Também questionou a divulgação do episódio quase dois anos depois da data apontada, às vésperas da eleição.
Pettersen anunciou que buscará documentos que comprovem o protocolo da comunicação à Controladoria-Geral do Estado e que pretende adotar medidas judiciais por calúnia, difamação e danos à sua imagem.
Sobre as negociações políticas, apresentou outra versão: afirmou que seu último contato com Simões ocorreu quando recebeu uma proposta para ser candidato a vice-governador em troca da retirada de Cleitinho da disputa. Segundo o deputado, ele recusou.