Simões declara apoio a Flávio Bolsonaro e deixa Zema em segundo plano no debate

O governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência durante o debate da TV Globo, na terça-feira (29). A manifestação deixou em segundo plano Romeu Zema (Novo), seu antecessor e padrinho político, que também concorre ao Palácio do Planalto.
Simões apresentou sua preferência durante uma rodada de perguntas com o candidato ao governo mineiro Flávio Roscoe (PL), dedicada à dívida do estado com a União. Ao mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou: “Eu espero que seja Flávio Bolsonaro, porque não é possível a gente continuar convivendo com o Lula no poder”.
Na mesma discussão, o governador disse que, caso o senador seja eleito, pretende propor a aplicação de uma parcela mensal de R$ 700 milhões da dívida na recuperação de rodovias, incluindo a BR-262, a BR-381 e a BR-040. A ideia foi apresentada como proposta de negociação com um eventual novo governo federal, sem acordo anunciado.
Roscoe também manifestou apoio ao presidenciável do PL, mas contestou a posição de Simões na disputa estadual. O empresário defendeu sua própria candidatura como alternativa para impedir que o PT chegue ao segundo turno em Minas.
A declaração do governador ocorre após notícias de divergências com Zema sobre o alinhamento presidencial. Segundo O TEMPO, Simões teria pedido, em agosto, autorização ao antecessor para apoiar Flávio já no primeiro turno. O pedido teria sido recusado, com cobrança de manutenção do apoio à candidatura do Novo. A assessoria de Zema afirmou desconhecer o assunto.
Antes do debate da Globo, Simões já havia anunciado que apoiaria Flávio em um eventual segundo turno contra Lula. Essa manifestação ocorreu no debate da Record Minas, em 21 de setembro.
Eleito vice-governador em 2022 pelo Novo, na chapa de Zema, Simões se filiou ao PSD em outubro de 2025. Seu atual partido tem como candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), apoiado pelas lideranças estaduais da legenda.
O distanciamento em relação ao antecessor também aparece na campanha mineira. Conforme a reportagem de O TEMPO, Zema e Simões não realizaram atos conjuntos desde o início da campanha, contrariando a expectativa de que percorreriam o estado lado a lado.
Em setembro, ao comentar a ausência do ex-governador, Simões afirmou que a presença de Zema em Minas dependeria das possibilidades de sua agenda presidencial.
Há ainda insatisfação no Novo com a composição da chapa estadual. Segundo o jornal, integrantes do partido resistem ao apoio ao governador após a expectativa frustrada de ocupar a candidatura a vice. A vaga ficou com Danilo de Castro (União Brasil).
A preferência anunciada por Simões no debate acrescenta um novo elemento à relação com Zema na reta final da eleição. O ex-governador permanece na disputa presidencial, enquanto seu sucessor manifesta publicamente a expectativa de vitória do candidato do PL.