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Lula se encontrará com Trump em dezembro, após americano falar em fraude nas eleições brasileiras

Por Brasil no Centro Publicado em 27 de outubro de 2026 às 12:48 8 min de leitura
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Lula se encontrará com Trump em dezembro, após americano falar em fraude nas eleições brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverão voltar a se encontrar em dezembro, durante a cúpula do G20, em Miami. A reunião internacional está marcada para os dias 14 e 15 e ocorrerá menos de dois meses depois de Trump questionar publicamente a legitimidade da eleição presidencial brasileira, vencida por Lula no último domingo (25).

O encontro ganha relevância diante da nova tensão entre Brasília e Washington. Nesta segunda-feira (26), Trump afirmou a jornalistas que a votação brasileira parecia ter sido fraudada, embora não tenha apresentado provas de irregularidades. O republicano também questionou a decisão judicial que prorrogou o horário de votação em determinadas seções eleitorais.

Apesar das críticas, o presidente americano declarou que mantém uma boa relação pessoal com Lula e ressaltou que não apoiou formalmente nenhum dos candidatos durante a disputa presidencial brasileira.

As declarações ocorreram após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), que anunciou a intenção de contestar judicialmente o resultado eleitoral. O presidente reeleito recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A próxima oportunidade de contato entre os dois chefes de Estado será a 21ª reunião de cúpula do G20, que acontecerá no Trump National Doral Miami, empreendimento pertencente ao presidente americano, localizado na cidade de Doral, na região metropolitana de Miami.

O evento reunirá representantes das principais economias mundiais, incluindo Brasil, Estados Unidos, China, Índia e países europeus, além da União Europeia e da União Africana.

A realização da cúpula está confirmada pelo governo americano e pelas autoridades locais responsáveis pela organização do encontro. Uma reunião bilateral exclusiva entre Lula e Trump, entretanto, ainda não teve horário ou agenda oficialmente anunciados.

A participação dos líderes no mesmo evento diplomático deverá ocorrer em um momento de divergências sobre as relações comerciais e a condução da política externa dos dois países.

Na segunda-feira, Trump foi questionado sobre a reeleição de Lula e afirmou que a prorrogação do horário de votação havia provocado dúvidas sobre o processo eleitoral.

A decisão foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar às seções, especialmente em municípios com problemas no transporte público.

A ampliação permitiu que locais de votação ainda abertos às 17h continuassem recebendo eleitores até as 19h. As urnas que já haviam sido encerradas não foram reabertas.

Trump afirmou considerar a medida estranha e sugeriu que a eleição brasileira poderia ter sido manipulada. Não apresentou, contudo, documentos, dados ou outros elementos que comprovassem fraude.

Quando perguntado se os Estados Unidos pretendiam adotar alguma providência contra o resultado brasileiro, o presidente americano evitou assumir um compromisso e destacou que governa os Estados Unidos, não o Brasil.

As declarações coincidiram com a reação de Flávio Bolsonaro à derrota eleitoral.

O senador anunciou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral para questionar a validade do segundo turno, alegando problemas relacionados à ampliação do horário de votação e possíveis irregularidades durante a campanha.

O TSE, entretanto, confirmou a vitória de Lula e rejeitou acusações de que representantes do PL tenham sido impedidos de fiscalizar a totalização dos votos.

A Justiça Eleitoral informou que fiscais da legenda acompanharam os procedimentos nas áreas destinadas à fiscalização partidária.

Até o momento, não há decisão judicial que tenha anulado a eleição ou constatado fraude capaz de comprometer o resultado proclamado.

A contestação de Flávio recebeu apoio de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), ex-deputado federal que vive nos Estados Unidos desde 2025.

Eduardo divulgou um vídeo em inglês pedindo que governos estrangeiros não reconhecessem a vitória de Lula e pressionassem as autoridades brasileiras pela anulação do resultado.

Antes da votação, ele também havia defendido publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado.

A declaração passou a integrar a controvérsia judicial envolvendo o senador, que recebeu determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar seus passaportes e não deixar o país.

Flávio negou qualquer intenção de fuga e classificou a medida como uma tentativa de intimidação política.

A atuação de Eduardo nos Estados Unidos já havia provocado tensões diplomáticas durante os últimos dois anos, especialmente por sua interlocução com integrantes do governo Trump e pelas críticas dirigidas ao Judiciário brasileiro.

Entre os integrantes da administração americana próximos à família Bolsonaro está o secretário de Estado Marco Rubio, que tem adotado posições críticas ao governo Lula e à atuação de autoridades brasileiras.

Mesmo diante dessas aproximações, Trump evitou declarar apoio formal à candidatura de Flávio na eleição presidencial de 2026.

O republicano chegou a elogiar o desempenho eleitoral do senador depois do primeiro turno, mas afirmou posteriormente que não havia tomado partido na disputa.

A relação entre Lula e Trump atravessou diferentes momentos desde o retorno do americano à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Inicialmente, o diálogo foi marcado por tensões comerciais, com a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e a adoção de sanções contra integrantes do Judiciário.

As divergências envolveram também o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) e a atuação de Eduardo Bolsonaro junto a autoridades americanas.

O cenário começou a mudar após contatos diplomáticos entre os dois governos e uma aproximação pessoal durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2025.

Na ocasião, Lula e Trump se encontraram brevemente nos corredores da ONU. O presidente americano elogiou publicamente o contato e afirmou ter estabelecido uma boa relação com o brasileiro.

O episódio abriu caminho para novas conversas entre os dois governos, incluindo contatos telefônicos e encontros diplomáticos destinados a reduzir as divergências econômicas.

Em maio de 2026, Lula realizou uma visita de trabalho à Casa Branca, a convite de Trump, consolidando uma etapa de reaproximação entre Brasília e Washington.

As negociações comerciais, entretanto, voltaram a enfrentar dificuldades após a adoção de novas medidas tarifárias americanas e manifestações de integrantes do Departamento de Estado sobre a política brasileira.

A administração Trump passou a questionar práticas comerciais adotadas pelo Brasil, enquanto representantes do governo Lula defenderam a soberania nacional e a necessidade de preservar relações econômicas equilibradas.

A disputa envolve setores exportadores, barreiras comerciais e decisões regulatórias que afetam empresas dos dois países.

O Brasil também reagiu a manifestações de autoridades americanas sobre o sistema eleitoral brasileiro, considerando inadequadas eventuais tentativas de interferência de governos estrangeiros em assuntos internos.

A declaração feita por Trump nesta segunda-feira acrescentou um novo elemento a esse histórico.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que o resultado eleitoral brasileiro não pode ser submetido ao reconhecimento discricionário de outro país. Segundo ele, o Brasil continuará buscando boas relações com os Estados Unidos, mas espera respeito às decisões de suas instituições.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também contestou as afirmações de Trump e considerou equivocadas as suspeitas levantadas pelo americano sobre a votação.

O governo brasileiro sustenta que o resultado foi proclamado pela Justiça Eleitoral e que eventuais questionamentos devem ser resolvidos pelos mecanismos previstos na legislação nacional, sem interferência externa.

Apesar do novo atrito, os canais diplomáticos continuam funcionando.

A preparação para a cúpula do G20 prossegue normalmente, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem compromissos previstos com representantes internacionais no âmbito das reuniões preparatórias do grupo.

A agenda de dezembro poderá oferecer aos presidentes brasileiro e americano uma oportunidade de tratar pessoalmente das divergências acumuladas ao longo de 2026.

Entre os principais assuntos estão as tarifas comerciais, as relações bilaterais e as posições dos dois governos em temas internacionais.

A reunião também acontecerá durante o período de transição para o quarto mandato de Lula, que começará em janeiro de 2027.

Até lá, o presidente brasileiro terá de preparar sua nova equipe ministerial e definir as prioridades econômicas e diplomáticas do próximo governo.

Para Trump, anfitrião da cúpula, o encontro representará uma oportunidade de reunir os dirigentes das principais economias em território americano.

A previsão de que Lula e Trump participem do mesmo evento não significa que um encontro bilateral já tenha sido formalmente acertado. Ainda assim, a cúpula de Miami será a primeira grande oportunidade de contato presencial entre os dois presidentes após as declarações do americano sobre a eleição brasileira.