Política com conteúdo. Centro com clareza.
terça-feira, 29 de setembro
Assinar
Agora
Medidas de Lula às vésperas da eleição exigem ajuste de R$ 33 bilhões no Orçamento de 2027Trump e Xi anunciam avanço comercial e envio de pandas aos EUA após encontro em WashingtonGreve da Caixa: agências retomam atendimento parcial após decisão do TSTLula tem 39% e Flávio 34% no 1º turno, diz pesquisa QuaestGilmar Mendes cobra investigação sobre precatórios do Banco Master e cita contrato de R$ 427 milhões
Política

Lula quer acionar Trump para conter risco de guerra entre EUA e Venezuela

Por Brasil no Centro Publicado em 24 de novembro de 2025 às 15:34 3 min de leitura
Compartilhar
Lula quer acionar Trump para conter risco de guerra entre EUA e Venezuela

Em meio ao clima de tensão no Caribe e à escalada militar ordenada por Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um alerta contundente: a América do Sul pode estar à beira de um conflito sem precedentes — e o Brasil não vai ficar calado.

Durante entrevista coletiva após o encerramento do encontro do G20, em Joanesburgo, na África do Sul, Lula revelou que pretende conversar diretamente com Trump para tentar reduzir a crise entre Estados Unidos e Venezuela.

“Estou muito preocupado”, disse Lula. “Não gostaria que acontecesse nada militarmente na América do Sul. O Brasil tem responsabilidades no continente e uma longa fronteira com a Venezuela.”

Tensão militar no Caribe preocupa Planalto

Nos últimos meses, por ordem direta de Trump, os EUA enviaram milhares de soldados e navios de guerra — incluindo o maior porta-aviões do mundo — para a região. Pelo menos 80 pessoas já morreram em ataques a barcos venezuelanos, sob alegações americanas não comprovadas de tráfico de drogas.

Trump também autorizou a CIA a operar dentro da Venezuela, um movimento interpretado como tentativa de enfraquecer ou derrubar o regime de Nicolás Maduro.

Lula comparou o momento à guerra entre Rússia e Ucrânia, lembrando que “é sempre mais fácil começar uma guerra do que terminá-la”.

Brasil tenta evitar ruptura diplomática no G20

O presidente brasileiro negou que a ausência de Trump e do líder chinês Xi Jinping tenha esvaziado o G20, destacando a presença de delegações robustas e a importância do próximo encontro, que será sediado por Trump na Flórida.

Apesar disso, Lula enviou recados claros: o multilateralismo está ameaçado — e é preciso reação.
“Trump combate o multilateralismo, mas não vai vencer”, afirmou. “O mundo sabe que juntos seremos muito mais fortes.”

Agenda intensa com líderes globais

Entre reuniões bilaterais, Lula encontrou-se com os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e da Coreia do Sul, Lee Jae Myung. Com Erdogan, a pauta foi ambiental: a COP31, que acontecerá na Turquia. Já o líder sul-coreano convidou Lula para visita oficial.

O caráter pessoal marcou o encontro com Lee, com quem Lula divide a experiência de origem sindical e acidentes de trabalho na juventude.

Rumores de crise global dominam bastidores do G20

Durante seu discurso na sessão “Um Futuro Justo e Equitativo para Todos”, Lula destacou a responsabilidade mundial sobre o uso de minerais estratégicos, inteligência artificial e trabalho.
“A forma como integrarmos esses três vetores definirá o futuro das próximas gerações”, disse.

Logo após o encerramento do G20, Lula seguiu para Moçambique, onde recebe nesta segunda (24) o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Moçambique.