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Braço direito de Haddad assume que Correios podem explodir contas públicas em 2026

Por Brasil no Centro Publicado em 25 de novembro de 2025 às 14:47 3 min de leitura
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Braço direito de Haddad assume que Correios podem explodir contas públicas em 2026

A equipe econômica de Fernando Haddad acendeu o alerta vermelho. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que os Correios se tornaram o maior risco imediato para as contas públicas e podem provocar um estrago ainda mais profundo em 2026. O número 2 da Fazenda afirmou que a situação da estatal é grave, estrutural e já está causando impactos diretos na meta fiscal do governo.

O cenário é dramático. Os Correios registraram prejuízo de 4,3 bilhões de reais apenas no primeiro semestre de 2025 e queimam cerca de 750 milhões por mês em caixa. A projeção de resultado primário explodiu, saltando de um déficit previsto de 2,4 bilhões para quase 6 bilhões de reais. O impacto foi tão grande que a estimativa de rombo das estatais no cálculo fiscal oficial subiu para 9,2 bilhões, bem acima do teto permitido para 2025.

Durigan reconheceu que o quadro tende a piorar no próximo ano e afirmou que será preciso recorrer ao desempenho de outras estatais e até ao Orçamento da União para socorrer os Correios. O secretário não apresentou números fechados, mas deixou claro que o valor necessário para o resgate pode superar o montante destinado em 2024.

Mesmo diante da deterioração acelerada, o governo descarta por enquanto um aporte direto. A alternativa estudada é um empréstimo com aval da União, desde que a direção dos Correios apresente um plano robusto de reestruturação. Durigan já cobrou pessoalmente do presidente da estatal, Emmanoel Rondon, um projeto considerado ousado, capaz de garantir sustentabilidade operacional e frear a sangria financeira.

A crise dos Correios acionou um alerta dentro do governo para monitorar de forma mais rígida o desempenho das estatais. A Comissão Interministerial de Governança Corporativa e Participações Societárias passará a acompanhar os balanços com prioridade e periodicidade reforçada. O objetivo é identificar rapidamente outras empresas em risco antes que novas bombas fiscais surjam.

O ambiente orçamentário também segue pressionado. Apesar da queda de 3,9 bilhões nas despesas obrigatórias, o governo só conseguiu liberar 644 milhões em novembro devido ao impacto negativo provocado justamente pelas estatais. O saldo final ficou no zero a zero, segundo Durigan, com a revisão de gastos anulando o rombo adicional do setor público empresarial.

A área econômica entende que há pouco espaço para alívio até o fim do ano. O Ministério do Planejamento lembrou que cancelamentos e remanejamentos de verbas discricionárias são comuns nesse período e que decisões finais dependerão de fatores como a arrecadação do leilão de petróleo previsto para dezembro.

Enquanto isso, a crise dos Correios domina as atenções no coração da Esplanada. O que deveria ser uma empresa estratégica para a União tornou-se, nas palavras do próprio segundo homem mais poderoso da Fazenda, a bola da vez entre as estatais e um risco real para a credibilidade fiscal do país. Se nada mudar, a conta estoura em 2026.