“Não sou candidato”, Flávio descarta disputar a presidência e diz que pai escolherá nome da oposição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) jogou luz e polêmica sobre o futuro da oposição ao afirmar, nesta segunda-feira (24), que o candidato do PL à Presidência em 2026 será escolhido “exclusivamente da boca” de Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu após uma reunião tensa entre parlamentares da sigla, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e advogados do ex-presidente, preso preventivamente no último sábado (22).
No encontro, a cúpula do PL buscou reorganizar o discurso, conter danos e, principalmente, projetar o que será do partido sem seu principal líder em liberdade. Mas a mensagem de Flávio foi clara: ninguém se move até Bolsonaro apontar o nome.
O senador reforçou que não há prazo para essa definição e que o cenário só se altera quando Bolsonaro, pessoalmente, disser quem deseja como representante da direita. Questionado se ele próprio poderia ser o escolhido, Flávio foi taxativo: não.
“Meu nome não está na mesa. Eu pretendo ser candidato ao Senado no Rio de Janeiro. Nunca escondi isso. Não vou fazer movimento para mudar isso”, afirmou. Ele destacou que o PL tem “vários nomes competitivos”, prontos para assumir a dianteira caso Bolsonaro fique impedido de disputar.
Flávio reforçou que a força da legenda está mantida, mesmo com o cerco jurídico ao ex-presidente. “Depois que ouvirmos da boca do presidente Bolsonaro, no momento em que ele entender melhor, iremos para uma eleição muito forte em 2026”, garantiu.
No entanto, a entrevista ganhou tons mais duros quando o senador voltou sua artilharia para o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelos processos envolvendo Bolsonaro no STF. Segundo Flávio, o ex-presidente estava “debilitado e medicado” no momento em que tentou violar a tornozeleira eletrônica episódio que culminou em sua prisão preventiva. A declaração tenta reforçar a narrativa de fragilidade e perseguição judicial, central para a estratégia do PL.
A fala de Flávio deixa evidente o impasse: o partido paralisa qualquer movimento eleitoral e entrega seu destino à decisão de um líder que, neste momento, está atrás das grades. Enquanto isso, a oposição permanece em compasso de espera, sem nome, sem rumo e com toda a pressão colocada sobre um único protagonista.