Sem Pacheco, PT pode apoiar Kalil para o governo de Minas

O movimento político no tabuleiro mineiro ganhou um novo capítulo com a manutenção do jantar entre o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, pré-candidato ao governo de Minas pelo PDT. Mesmo após adiar compromissos com a executiva estadual petista, Edinho desembarca em Belo Horizonte para a conversa que pode redefinir os rumos da disputa pelo Palácio Tiradentes em 2026.
A reunião, confirmada pelo próprio dirigente, ocorre em um momento decisivo para o PT, que busca construir um palanque sólido em Minas Gerais para a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sigla ainda não encontrou um nome interno capaz de unificar o partido no estado. A opção considerada mais consistente era o senador Rodrigo Pacheco, do PSD, que já manifestou não ter interesse em disputar o governo, abrindo espaço para novas articulações.
Com o recuo de Pacheco, Alexandre Kalil volta ao centro das negociações. A possibilidade de o PT apoiá-lo novamente tem sido bem recebida por setores do PDT, mas divide profundamente o petismo mineiro. Enquanto parte do partido avalia que Kalil representaria uma candidatura competitiva, outra ala rejeita a reedição da aliança firmada em 2022, quando o ex-prefeito disputou o governo com apoio do PT, mas sem sucesso.
A manutenção do jantar em meio ao cancelamento de compromissos internos do PT em Minas gerou desconforto. Edinho desmarcou um café da manhã com a executiva estadual e com deputados mineiros, previsto para a quarta-feira, alegando participação em uma solenidade do Palácio do Planalto para a sanção do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda. O evento, prioritário para o governo Lula, coincidiu com a data do encontro partidário, que foi suspenso pela segunda vez desde o início de novembro.
Como forma de compensação, Edinho propôs uma reunião remota com a direção mineira. A alternativa, porém, não agradou parte do diretório estadual, que considerava essencial um diálogo presencial para discutir estratégias e consolidar o posicionamento do partido diante das eleições de 2026.
Mesmo diante dos ruídos internos, o jantar desta terça-feira se torna simbólico. Ele sinaliza que, sem Pacheco na disputa, o PT nacional pode caminhar para a construção de uma aliança que recoloca Kalil no centro da cena política mineira. Ao mesmo tempo, revela o desafio de acomodar interesses, reconectar lideranças e pacificar divergências em um dos estados mais estratégicos do país.
Com Minas ainda indefinida, a negociação avança, e o jantar desta noite pode marcar o início de um novo arranjo político rumo a 2026. O desfecho dependerá da habilidade do PT em unir suas bases e decidir se Kalil será, mais uma vez, o nome para enfrentar a disputa pelo governo mineiro.