Roberto Freire retoma presidência do Cidadania e amplia racha interno no partido

A crise no comando do Cidadania ganhou mais um capítulo neste fim de semana após a Justiça determinar o retorno de Roberto Freire à presidência nacional do partido, suspendendo a atual direção. A decisão reacendeu o embate interno e foi imediatamente contestada por Conde Bittencourt, que presidia a sigla desde 2023 e anunciou que irá recorrer.
Segundo a decisão judicial, foram identificadas irregularidades no processo que afastou Freire do comando do partido. O desembargador responsável pelo caso apontou ausência de licença válida e inexistência de processo disciplinar, etapas consideradas obrigatórias pelo estatuto para qualquer destituição antes do fim do mandato.
Outro ponto destacado foi a situação da ata da reunião de 2023 que tentou oficializar a troca de comando. O documento apresentou inconsistências e ausência de registros formais em cartório. Com isso, nos registros oficiais, Roberto Freire continuou figurando como presidente do Cidadania. O tribunal ainda ressaltou que as informações de cartório prevalecem sobre os dados do TSE, que são alimentados por autodeclaração.
Com a concessão da tutela, Freire reassume oficialmente a presidência. O TSE terá de atualizar os cadastros internos do partido e, no prazo de até 30 dias, deverá ser convocada uma nova reunião do Diretório Nacional para redefinir a Executiva. Desta vez, todas as etapas deverão seguir rigorosamente o estatuto e ser formalmente registradas em cartório.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal também apontou preocupação com a gestão dos recursos públicos do partido, que estariam sendo administrados há mais de dois anos por uma diretoria sem regularização formal. O entendimento é de que essa situação pode causar prejuízos às contas da legenda às vésperas das eleições de 2026.
A disputa no Cidadania não se limita ao campo jurídico. O racha também tem forte componente ideológico, o que aprofunda ainda mais a crise interna da legenda.
Em nota, a maioria do Diretório Nacional e dos presidentes estaduais manifestou apoio a Conde Bittencourt e questionou a legitimidade de Roberto Freire para reassumir o comando do partido. O grupo afirma que a decisão judicial foi tomada com base em informações incorretas, gerou instabilidade interna em um momento estratégico e não apresenta urgência. Ainda segundo a nota, a legenda seguirá defendendo a unidade e a democracia interna.
A retomada de Freire, no entanto, muda novamente o equilíbrio de forças dentro do Cidadania e mantém o partido em um cenário de incertezas políticas e jurídicas às vésperas de um novo ciclo eleitoral.