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Empresa de Zema faturou R$ 200 milhões com aposentados e governador vai depor na CPMI do INSS

Por Brasil no Centro Publicado em 10 de dezembro de 2025 às 09:59 3 min de leitura
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Empresa de Zema faturou R$ 200 milhões com aposentados e governador vai depor na CPMI do INSS

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para prestar depoimento sobre a atuação da Zema Financeira, empresa da família do governador, no mercado de empréstimos consignados. Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam que a instituição movimentou cerca de R$ 200 milhões nos últimos cinco anos.

A financeira fechou acordo com o INSS em 2020, ainda no governo Jair Bolsonaro. Desde então, acumulou uma carteira de 69 mil operações. O crescimento mais expressivo ocorreu em 2023, primeiro ano do governo Lula, quando o número de contratos saltou de 11 mil para 68 mil, elevando os repasses mensais para aproximadamente R$ 6 milhões.

O deputado Rogério Correia, autor do pedido de convocação, afirma que a presença de Zema na comissão é necessária para esclarecer se a empresa foi favorecida por mudanças normativas que permitiram o uso do Auxílio Brasil como garantia para consignados. A suspeita levou o nome do governador ao centro das discussões da CPMI.

Zema vinha tentando evitar a oitiva, alegando não participar da administração da financeira desde outubro de 2018, antes de assumir o governo mineiro. Sua defesa reforçou que o afastamento foi formalizado em ata registrada na Junta Comercial de Minas Gerais. Documentos enviados à comissão apontam que o governador ainda possui 16 por cento das ações ordinárias, enquanto o restante do capital está em nome de outros familiares.

A oposição e parlamentares do partido Novo afirmaram haver perseguição política, mas votaram pela convocação argumentando que o governador não teria nada a esconder. Antes da decisão, a defesa de Zema encaminhou uma carta com explicações à CPMI.

A sessão que aprovou a convocação também marcou o encerramento dos trabalhos da comissão em 2024. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana, informou que solicitará prorrogação por mais 60 dias, decisão que dependerá do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

A CPMI foi criada após denúncias que ficaram conhecidas como Farra do INSS, reveladas em 2023, quando reportagens mostraram o aumento desenfreado de descontos indevidos aplicados a aposentados por associações que respondiam a milhares de processos por fraudes. As descobertas motivaram ações da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União e acabaram provocando a queda do então presidente do INSS e do ministro da Previdência.