Polícia Federal mira assessora de Lira em operação contra Corrupção

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira uma operação que colocou no centro das investigações Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, assessora ligada ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira. A ação, batizada de Transparência, foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para apurar suspeitas de irregularidades na distribuição de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
Segundo o inquérito, depoimentos de parlamentares indicam que Tuca atuava diretamente no envio e na definição de emendas em nome de Lira, mesmo após o fim de sua gestão na Presidência da Câmara. Para o ministro, os indícios apontam para a existência de uma estrutura organizada com o objetivo de direcionar verbas de forma indevida.
A PF investiga possíveis crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção. Uma das buscas ocorreu dentro da própria Câmara dos Deputados, na sala onde Tuca trabalha atualmente, lotada na liderança do PP. Os investigadores também quebraram seu sigilo telefônico e telemático. A defesa da assessora não foi localizada, e Arthur Lira não se pronunciou.
Mensagens reveladas pela imprensa mostram que Tuca enviava listas prontas de municípios a serem beneficiados por emendas de comissão, que somavam R$ 1,1 bilhão, repassadas ao Ministério da Integração e ao Dnocs. As minutas eram posteriormente assinadas por parlamentares responsáveis pela comissão, sem transparência sobre os critérios de escolha.
A operação ocorre em meio a uma série de apurações sobre o uso de emendas parlamentares. No fim de 2024, o STF já havia suspendido repasses após suspeitas envolvendo mais de 5.400 indicações feitas sem aprovação formal das comissões, prática denunciada pelo PSOL.
Com buscas, documentos apreendidos e pressão crescente sobre aliados de Lira, a investigação promete aprofundar o debate sobre transparência e controle no uso das emendas parlamentares no Congresso.