Após filiar Arruda, PSD enfrenta debandada de deputados no Distrito Federal

A filiação do ex-governador José Roberto Arruda ao PSD, com vistas à disputa pelo Palácio do Buriti em 2026, abriu uma crise interna no partido no Distrito Federal e já provoca movimentações de saída entre deputados distritais da legenda. O gesto, chancelado pela direção nacional da sigla, escancarou divisões políticas e colocou em xeque a permanência de parlamentares que hoje integram a base do governo Ibaneis Rocha.
O ato de filiação ocorreu em Brasília, com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e foi marcado por discursos duros de Arruda contra a atual gestão do DF. O ex-governador prometeu um choque de gestão, criticou obras em andamento e defendeu a retomada de um modelo de planejamento que, segundo ele, marcou administrações passadas da capital.
Mesmo cercada de incertezas jurídicas, a candidatura de Arruda foi acolhida pelo PSD. O ex-governador sustenta que está apto a concorrer em 2026 e afirma que eventuais restrições legais não impedirão o registro de sua candidatura dentro do prazo eleitoral.
A decisão, no entanto, caiu como uma bomba dentro do partido no DF. Deputados distritais do PSD que hoje apoiam o governo Ibaneis e a pré-candidatura da vice-governadora Celina Leão passaram a discutir publicamente a possibilidade de deixar a legenda. O entendimento é que a filiação de Arruda altera profundamente as diretrizes políticas do partido no Distrito Federal.
O deputado Robério Negreiros afirmou que a chegada de Arruda cria incompatibilidades políticas insuperáveis e sinalizou que deve deixar o PSD com base na legislação eleitoral. Já Jorge Vianna confirmou que também pretende se desfiliar nos próximos meses, classificando a mudança como um alinhamento estratégico a um projeto político já consolidado em Brasília, em referência ao grupo liderado por Celina Leão.
Enquanto parte da bancada avalia a saída, a filiação de Arruda atraiu nomes de fora do PSD. O senador Izalci e o deputado Alberto Fraga, ambos ligados ao PL e à base do governo local, prestigiaram o evento. Izalci, que vinha se colocando como possível candidato ao governo do DF, indicou que pode rever seus planos e sinalizou disposição para caminhar ao lado de Arruda, ainda que sem definição partidária.
O movimento expõe um racha no PSD do Distrito Federal e coloca o partido no centro de uma disputa que deve se intensificar nos próximos meses. Ao apostar em Arruda, a legenda amplia seu protagonismo no debate eleitoral, mas corre o risco de sair fragilizada no curto prazo com a perda de quadros no Legislativo local.