Prefeito de Manaus quer gastar R$ 142 milhões em publicidade e é alvo de críticas de Rodrigo Guedes

O orçamento da Prefeitura de Manaus para 2026, aprovado pela Câmara Municipal, abriu um novo foco de críticas à gestão do prefeito David Almeida. O vereador Rodrigo Guedes votou contra a proposta ao apontar como distorção a previsão de R$ 142 milhões destinados à publicidade institucional, valor que, segundo ele, supera o orçamento de diversas secretarias que atuam diretamente no atendimento à população.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual fixa o orçamento municipal em R$ 12 bilhões para o próximo ano, um crescimento de 14,2% em relação a 2025, quando o montante aprovado foi de R$ 10,5 bilhões. Para Guedes, o aumento global dos recursos não se reflete em prioridades sociais ou estruturais.
O vereador destacou que o orçamento da Secretaria Municipal de Comunicação é maior do que o de áreas como Meio Ambiente, Esporte, Feiras e Mercados, Agricultura, Fundação Dr. Thomas, Casa Militar e outras pastas consideradas essenciais. Na avaliação dele, essa comparação evidencia um descompasso entre as necessidades reais da cidade e as escolhas do Executivo.
Durante a votação, Guedes afirmou que a administração municipal parece priorizar a promoção da própria imagem em detrimento de investimentos em infraestrutura, mobilidade urbana e combate a problemas recorrentes, como alagações. Ele também chamou atenção para o volume de recursos destinados à Secretaria Municipal de Finanças, que deve ultrapassar R$ 1,3 bilhão, sendo cerca de R$ 1 bilhão direcionado ao pagamento de dívidas de empréstimos.
Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a expectativa de arrecadação acima do previsto. Segundo Guedes, nos últimos anos a prefeitura tem superado as estimativas orçamentárias, o que poderia permitir investimentos mais robustos em áreas estratégicas. Para ele, o crescimento da arrecadação contrasta com a percepção de estagnação dos serviços públicos e com a deterioração da qualidade de vida na capital amazonense.
Ao justificar seu voto contrário, o vereador afirmou que Manaus dispõe de recursos suficientes para avançar em políticas públicas estruturantes, mas que as escolhas orçamentárias da gestão atual indicam prioridades equivocadas, distantes das demandas mais urgentes da população.