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Política

Mateus Simões nega Flávio e Ratinho, mas quer apoio de bolsonaristas e recursos do PSD

Por Brasil no Centro Publicado em 17 de dezembro de 2025 às 22:07 3 min de leitura
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Mateus Simões nega Flávio e Ratinho, mas quer apoio de bolsonaristas e recursos do PSD

O discurso de “nova política” defendido por Mateus Simões desde a fundação do Partido Novo entra em contradição com suas escolhas recentes. Em entrevista ao Estado de Minas, o governador Romeu Zema afirmou que contará com o apoio do vice-governador em sua candidatura à Presidência da República mesmo que o PSD, partido ao qual Simões acaba de se filiar, lance o governador do Paraná, Ratinho Júnior, ao Palácio do Planalto. Na prática, o vice-governador deixa claro que seu projeto pessoal de poder estará acima da fidelidade partidária.

A declaração expõe uma incoerência difícil de ignorar. Simões foi um dos fundadores do Novo, legenda criada justamente para combater o fisiologismo, a troca de interesses e a lógica pragmática dos partidos tradicionais. Ainda assim, deixou o partido que ajudou a construir para se filiar ao PSD, em busca de fundo eleitoral, tempo de televisão e maior capilaridade política, instrumentos que sempre criticou em seu discurso público.

Pouco tempo depois da mudança, Simões já sinaliza que não seguirá a orientação nacional da sigla que escolheu integrar caso ela conflite com os planos de Zema. O governador foi explícito ao afirmar que a questão nacional caminhará separadamente, assegurando apoio mútuo em Minas independentemente das decisões do PSD no plano federal. Trata-se de uma lógica conhecida, em que o arranjo local se sobrepõe ao projeto partidário, o que sempre foi criticado pelo próprio Simões.

A contradição se amplia quando o vice-governador tenta dialogar com o eleitorado bolsonarista, mas descarta apoiar Flávio Bolsonaro, nome do PL cogitado para a disputa presidencial. Simões busca atrair esse público sem assumir compromisso com o herdeiro do bolsonarismo e, ao mesmo tempo, sem se comprometer com o eventual candidato do próprio PSD.

O episódio reforça a percepção de que, ao trocar o Novo por uma sigla de centro tradicional, Mateus Simões aderiu exatamente ao modelo de política que dizia combater. A promessa de fazer diferente deu lugar às práticas mais antigas do sistema político brasileiro, baseadas em conveniência eleitoral, alinhamentos personalistas e relativização da coerência partidária.

No fim, o recado é claro. Por Zema, Mateus Simões não apoia Flávio Bolsonaro, não apoia Ratinho Júnior e trata a fidelidade partidária como detalhe secundário. Para quem se apresentou como símbolo de renovação, o caminho escolhido se parece cada vez mais com a política de sempre.