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SUS gastou R$ 556 milhões para tratar vítimas de armas de fogo nos últimos 10 anos

Por Brasil no Centro Publicado em 18 de dezembro de 2025 às 16:56 3 min de leitura
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SUS gastou R$ 556 milhões para tratar vítimas de armas de fogo nos últimos 10 anos

A violência armada no Brasil tem impacto direto não apenas na segurança pública, mas também no orçamento e na capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde. Levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que, nos últimos dez anos, o SUS desembolsou R$ 556 milhões apenas com internações hospitalares de vítimas feridas por armas de fogo.

Os dados, obtidos a partir do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde, mostram que o gasto médio anual ultrapassa R$ 56 milhões. Somente em 2024, cerca de 15,8 mil pessoas precisaram ser internadas na rede pública após serem baleadas, gerando um custo de R$ 42,3 milhões.

O estudo revela que esse tipo de atendimento é significativamente mais caro do que outras internações. Cada paciente ferido por arma de fogo custou, em média, R$ 2.680 ao SUS em 2024, valor mais de duas vezes superior ao gasto federal médio per capita em saúde no mesmo período.

Segundo especialistas, os números reforçam a necessidade de tratar a violência armada como um problema de saúde pública. As internações por armas de fogo custam cerca de 80% a mais do que aquelas decorrentes de agressões físicas ou por objetos cortantes, mesmo sendo todas formas recorrentes de violência interpessoal no país.

O levantamento não inclui despesas com atendimentos ambulatoriais, reabilitação física, acompanhamento psicológico nem custos assumidos por estados, municípios ou hospitais privados. Ainda assim, os dados já indicam um peso expressivo sobre o sistema público.

A maioria das internações está ligada a agressões intencionais, que representam mais de 77% dos casos. Acidentes respondem por cerca de 15%, enquanto tentativas de suicídio, embora menos frequentes, apresentaram crescimento significativo nos últimos anos, acendendo um alerta para a saúde mental.

O perfil das vítimas segue um padrão conhecido. A grande maioria é composta por homens jovens e pessoas negras. Quase metade dos pacientes tem entre 15 e 29 anos, o que evidencia desigualdades estruturais e sociais que se refletem tanto na violência quanto na sobrecarga do sistema de saúde.

As diferenças regionais também chamam atenção. Nordeste e Norte concentram as maiores taxas de internação por arma de fogo, com estados onde o número de mortes supera amplamente o de hospitalizações, indicando alta letalidade e dificuldades de acesso ao atendimento.

Além do impacto financeiro, a violência armada afeta o funcionamento cotidiano das unidades de saúde. Em áreas dominadas por grupos armados, serviços são interrompidos, profissionais trabalham sob constante pressão e comunidades ficam temporariamente sem acesso a cuidados básicos.

Especialistas defendem que políticas de segurança pública precisam dialogar diretamente com a saúde, a assistência social e a prevenção. Investimentos em políticas sociais, controle responsável de armas, fortalecimento da saúde mental e uso qualificado de dados são apontados como caminhos para reduzir a violência e, consequentemente, o custo humano e financeiro que ela impõe ao país.

Enquanto a violência armada continuar sendo tratada apenas como um problema policial, o Brasil seguirá pagando uma conta elevada, tanto em vidas perdidas quanto em recursos públicos que poderiam ser destinados a ampliar e qualificar o atendimento em saúde.