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Com dificuldade em montar palanque em SP e MG, Lula vê popularidade cair no Sudeste

Por Brasil no Centro Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 09:50 3 min de leitura
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Com dificuldade em montar palanque em SP e MG, Lula vê popularidade cair no Sudeste

Com quase metade do eleitorado brasileiro concentrada no Sudeste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um dos cenários mais delicados de seu terceiro mandato. Além da queda de popularidade na região, Lula ainda encontra dificuldades para estruturar palanques competitivos em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país, enquanto no Rio de Janeiro cresce a desconfiança sobre o nível de engajamento do principal aliado local.

Pesquisa recente da Genial Quaest mostrou que a avaliação do governo piorou no Sudeste. Hoje, 56% desaprovam a gestão, contra 40% que aprovam, um movimento que reduz o poder de transferência de votos do presidente e acende o alerta no Palácio do Planalto. Diante desse cenário, Lula passou a atuar diretamente nas conversas com possíveis candidatos a governador.

Em São Paulo, a avaliação interna do PT é de que, mesmo diante do favoritismo do governador Tarcísio de Freitas ou de um nome apoiado pelo bolsonarismo, é fundamental ter um candidato com densidade eleitoral para puxar votos presidenciais. O nome mais citado é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, incentivado diretamente por Lula. Os dois chegaram a se reunir por horas recentemente, mas Haddad demonstra resistência após derrotas anteriores em disputas majoritárias no estado.

Outras alternativas também circulam nos bastidores, ainda que com obstáculos políticos. O vice-presidente Geraldo Alckmin é lembrado, mas o PSB descarta mudanças na chapa presidencial. Já os nomes de Simone Tebet e Márcio França aparecem como opções mais distantes.

O cenário mais indefinido, porém, é Minas Gerais, estado historicamente visto como termômetro das eleições nacionais. A aposta inicial do Planalto no senador Rodrigo Pacheco perdeu força ao longo de 2025. Sem quadros competitivos do PT no estado, setores do partido passaram a defender uma reaproximação com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, hoje no PDT. A articulação ganhou corpo com a entrada direta do presidente nacional do PT, Edinho Silva, nas conversas.

Kalil evita assumir compromissos públicos, mas não fecha a porta para o diálogo. A ideia defendida por petistas mineiros é construir uma frente de centro que reduza a polarização e permita a Lula diminuir perdas no estado. Outros nomes também são citados, como o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite, embora ele enfrente resistências no campo da esquerda.

No Rio de Janeiro, a aliança com o prefeito Eduardo Paes é considerada praticamente consolidada, mas cercada de desconfiança. Ao longo de 2025, gestos de Paes em direção a setores da direita esfriaram a relação com o Planalto. Após meses de distanciamento, Lula e Paes voltaram a se reunir recentemente para reabrir canais e tentar alinhar estratégias.

Mesmo assim, dirigentes do PT avaliam que, diante da alta rejeição de Lula no estado, Paes pode optar por um envolvimento limitado na campanha presidencial, especialmente se o adversário nacional for um nome mais forte do que o bolsonarismo tradicional.

O quadro no Sudeste evidencia um desafio central para o presidente: sem palanques sólidos nos maiores estados e com a aprovação em queda, Lula terá de investir mais capital político para reduzir danos regionais. A estratégia passa menos por vitórias amplas e mais por evitar derrotas expressivas que comprometam o resultado nacional em 2026.