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Parte do União Brasil quer Caiado candidato para se livrar de apoiar Lula ou Flávio

Por Brasil no Centro Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 11:41 3 min de leitura
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Parte do União Brasil quer Caiado candidato para se livrar de apoiar Lula ou Flávio

Uma ala influente do União Brasil passou a defender, com mais intensidade, a manutenção da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. A aposta não está ligada ao desempenho eleitoral do goiano nas pesquisas, mas a uma lógica pragmática de sobrevivência partidária diante da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Nos bastidores, dirigentes avaliam que assumir formalmente um lado no primeiro turno pode custar caro ao partido em diferentes regiões do país. Em estados do Nordeste, a associação direta com o bolsonarismo tende a afastar eleitores e lideranças locais alinhadas ao lulismo. Já no Sul e no Centro-Oeste, um apoio explícito a Lula pode provocar perdas junto a um eleitorado mais conservador. Manter Caiado no páreo seria, portanto, uma forma de adiar a decisão nacional e liberar os diretórios estaduais no segundo turno.

A estratégia não é inédita. Em 2022, o então DEM, hoje União Brasil, lançou candidatura própria ao Planalto e liberou seus quadros para escolher entre Lula e Bolsonaro na fase decisiva da eleição. O modelo permitiu ao partido preservar alianças regionais e focar na disputa proporcional, considerada prioridade absoluta para o centrão.

Embora tenha rompido oficialmente com o governo Lula em 2025, o União Brasil mantém canais abertos com o Planalto. Três ministros ligados à legenda seguem na Esplanada, o que reforça a leitura de que o partido evita movimentos bruscos que possam comprometer sua posição institucional e eleitoral, especialmente no Nordeste.

Dentro da federação União Progressista, formada com o PP, o tema gera divergências. Enquanto setores do União veem Caiado como saída neutra, lideranças do PP defendem apoio direto a Flávio Bolsonaro ou, no mínimo, a liberação total dos filiados já no primeiro turno. O impasse expõe o dilema central da federação: como maximizar votos e cadeiras no Congresso sem herdar a rejeição dos polos mais radicalizados da disputa presidencial.

Com um dos maiores fundos eleitorais do país e a meta ambiciosa de eleger uma das maiores bancadas da Câmara, o União Brasil trata a eleição presidencial mais como variável de risco do que como prioridade estratégica. Nesse contexto, a candidatura de Caiado funciona menos como projeto de poder e mais como instrumento para manter o partido fora da linha de fogo da polarização nacional.