Mesmo demitida, ex-diretora dos Correios vai receber R$ 280 mil de salários pelos próximos meses

Juliana Picoli Agatte, ex-diretora de Governança e Estratégia dos Correios, seguirá recebendo seu salário integral de R$ 46,3 mil por mês, totalizando R$ 278 mil ao longo dos próximos seis meses, mesmo após sua demissão da estatal. A decisão, que foi confirmada pela Comissão de Ética Pública (CEP), faz parte de uma medida de quarentena imposta devido à futura mudança de Agatte para o setor privado, mais especificamente para a Edelman, uma agência global de relações públicas.
A quarentena, uma prática comum para evitar conflitos de interesse, é uma medida preventiva para garantir que Agatte não utilize informações estratégicas dos Correios em sua nova função. A proposta de emprego da Edelman, onde Agatte assumirá o cargo de diretora de relações governamentais, foi considerada pela CEP como potencialmente problemática devido à sobreposição de funções com sua antiga posição nos Correios, o que poderia comprometer a neutralidade necessária em suas futuras relações institucionais.
Apesar de sua saída da estatal, o pagamento de R$ 46,3 mil mensais por seis meses, conforme acordado, segue como parte de um processo que visa assegurar que Agatte não use seu cargo anterior para obter vantagens indevidas no setor privado. A decisão da CEP sublinha a importância de prevenir o que é conhecido como a prática da “porta giratória”, onde ex-gestores públicos podem usar suas redes de contatos e informações privilegiadas para beneficiar interesses privados.
Durante esse período, Agatte está proibida de usar ou divulgar qualquer informação estratégica dos Correios, além de não poder exercer funções relacionadas à sua futura posição na Edelman até o término da quarentena. A medida busca evitar o uso indevido de informações e garantir que não haja favorecimento de empresas privadas, como foi identificado em outros casos semelhantes no passado.