Racha no Centrão leva MDB a romper com Jorginho Mello e abre caminho para saída de União Brasil e Progressistas em Santa Catarina

A base política do governador Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina sofreu um abalo significativo nesta semana. O MDB anunciou oficialmente sua saída do governo estadual após a confirmação de que o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), será o pré-candidato a vice-governador na chapa de reeleição do atual governador. A decisão foi interpretada pelo partido como uma ruptura de um acordo previamente firmado.
Presidente do MDB catarinense, o deputado federal licenciado Carlos Chiodini era apontado como nome natural para a composição da chapa. Com a mudança de rota anunciada por Jorginho, Chiodini foi o primeiro a reagir, entregando o cargo de secretário de Agricultura e simbolizando o rompimento político entre o partido e o Palácio Barriga Verde.
A decisão foi tomada após reunião do diretório estadual em Florianópolis, na qual prevaleceu o entendimento de que o MDB deveria deixar o governo e seguir de forma independente na construção de um projeto próprio para as eleições. Em nota, a legenda afirmou que continuará atuando com responsabilidade no Legislativo, apoiando pautas de interesse do estado, mesmo fora da estrutura do Executivo.
Além da Agricultura, o MDB ocupa outras áreas estratégicas da administração estadual, como Meio Ambiente, Infraestrutura e a Fundação Catarinense de Esporte. A orientação partidária é para que todos os filiados deixem seus cargos no governo, encerrando formalmente a participação da sigla na gestão Jorginho Mello.
Nos bastidores, o movimento do MDB tende a produzir um efeito dominó. Lideranças avaliam que União Brasil e Progressistas também devem se afastar do governo, abrindo espaço para a formação de um novo bloco de centro-direita no estado. A articulação passa por uma possível aliança com o PSD, partido do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que já se apresenta como pré-candidato ao governo e busca se consolidar como uma alternativa ao bolsonarismo tradicional.
A crise expõe uma tensão que vinha sendo gestada desde o ano passado. Em declarações públicas anteriores, o próprio governador havia afirmado que a vaga de vice seria indicada pelo MDB, o que gerou expectativa dentro do partido. A escolha por Adriano Silva, além de surpreender aliados, foi celebrada pela ala mais ideológica do PL, que via com resistência a aproximação com legendas que, em nível nacional, mantêm diálogo com o governo Lula.
A entrada do prefeito de Joinville na chapa fortalece eleitoralmente Jorginho, sobretudo pelo desempenho expressivo de Adriano nas últimas eleições municipais. No entanto, o custo político da decisão foi a fragmentação do Centrão em Santa Catarina e a abertura de um novo cenário de disputa, com múltiplos polos na direita estadual.
Com a debandada do MDB e o reposicionamento de forças, o processo eleitoral catarinense ganha novos contornos e antecipa uma disputa que tende a ser marcada menos pela polarização nacional e mais pela reorganização interna da direita no estado.