Dono do Banco Master e ex-presidente do BMG serão ouvidos pela CPMI do INSS

Convocação de Daniel Vorcaro e Luis Félix Cardamone amplia pressão sobre o sistema financeiro em investigação que apura fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas

Dono do Banco Master e ex-presidente do BMG serão ouvidos pela CPMI do INSS
Wilton Junior/;Estadão

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social decidiu avançar sobre o núcleo financeiro do esquema sob apuração. O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, anunciou a convocação de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e de Luis Félix Cardamone Neto, ex-presidente do Banco BMG, para prestar depoimento ao colegiado no próximo dia 5 de fevereiro.

A oitiva de Vorcaro ocorre em meio a um histórico recente de controvérsias. O banqueiro chegou a receber voz de prisão em novembro do ano passado ao tentar deixar o país durante o andamento das investigações, mas acabou sendo liberado dias depois. Ele é acusado de envolvimento em uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, relacionada à venda de créditos considerados irregulares ao Banco Regional de Brasília.

Já Cardamone Neto figura entre os executivos chamados à CPI em razão do alto volume de reclamações associadas a instituições financeiras ligadas ao crédito consignado. O critério adotado pela comissão leva em conta dados da plataforma Consumidor.gov.br e registros da Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça.

Além das convocações, a CPMI tenta reverter uma decisão judicial que autorizou o empresário Maurício Camisotti a não comparecer para depor. Segundo o senador Carlos Viana, a comissão continuará adotando medidas legais para garantir o esclarecimento dos fatos. Camisotti é apontado pelas investigações como um dos principais articuladores do esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Preso atualmente na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Camisotti controla, segundo apurações, ao menos três entidades que, desde 2021, teriam faturado mais de R$ 1 bilhão por meio de descontos não autorizados aplicados a aposentados e pensionistas. A Polícia Federal chegou a solicitar que um eventual depoimento fosse realizado de forma reservada.

O Supremo Tribunal Federal concedeu ao empresário o direito de optar por não comparecer à CPMI e de permanecer em silêncio, com base no princípio constitucional da não autoincriminação. Ainda assim, o comando da comissão avalia que a presença dos principais envolvidos é fundamental para compreender o funcionamento do esquema e identificar responsabilidades.

Com as novas convocações, a CPMI do INSS entra em uma fase mais sensível da investigação, voltada à atuação de bancos, executivos e intermediários financeiros. O avanço do colegiado reforça a pressão política por respostas diante de um dos maiores escândalos recentes envolvendo o sistema previdenciário brasileiro.