Fisiologismo: candidatos do PSD não devem apoiar presidenciável do partido em ao menos seis estados

O PSD chega a 2026 com um paradoxo difícil de esconder: abriga três nomes com pretensões presidenciais, mas não consegue garantir que sua própria estrutura estadual caminhe unificada em torno de qualquer um deles. Diante de impasses regionais, a direção do partido já admite que, em pelo menos seis estados estratégicos, os candidatos da sigla não apoiarão o presidenciável escolhido para a disputa ao Planalto.
A decisão reflete a lógica que há anos orienta o partido comandado por Gilberto Kassab: preservar alianças locais, mesmo que isso esvazie o discurso nacional. A avaliação interna é que a divergência independe de quem venha a ser o candidato entre Ronaldo Caiado, Ratinho Junior ou Eduardo Leite. O problema não está no nome, mas no modelo.
Na Bahia, o conflito é explícito. O PSD integra a base do governador Jerônimo Rodrigues, do PT, e tende a manter esse alinhamento em 2026. Nesse cenário, o candidato presidencial do partido deve subir em palanque adversário, ao lado de ACM Neto, enquanto a estrutura local segue com o presidente Lula. A situação, longe de ser exceção, tornou-se referência para outras regiões.
No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes mantém relação direta com o Planalto e trabalha pela reeleição de Lula, o que inviabiliza qualquer engajamento do PSD fluminense em uma candidatura presidencial própria. No Nordeste, o padrão se repete. No Piauí, a sigla deve seguir integrada ao governo petista, e em Pernambuco, a prioridade é a reeleição da governadora Raquel Lyra, mesmo que isso exija negociações com o campo governista nacional.
Minas Gerais é outro ponto sensível. O PSD filiou Mateus Simões, vice de Romeu Zema, que disputa a sucessão estadual. A tendência é que Simões acompanhe Zema em eventual projeto presidencial, deixando o candidato do PSD em segundo plano no maior colégio eleitoral do Sudeste depois de São Paulo.
Em São Paulo, Kassab tenta equilibrar a autonomia do partido com a força política de Tarcísio de Freitas, que já declarou apoio a Flávio Bolsonaro. O resultado é um PSD dividido, cauteloso e sem disposição para comprar uma briga nacional que comprometa seus espaços regionais.
O diagnóstico interno é claro: sustentar uma candidatura presidencial exige coerência, disciplina e prioridade nacional. O PSD, ao optar por liberar palanques e acomodar interesses locais, reforça sua identidade pragmática, mas paga o preço de esvaziar qualquer projeto de protagonismo no Planalto. O fisiologismo, mais uma vez, fala mais alto que a ambição presidencial.