PSDB critica escalada da dívida pública e alerta para juros acima de R$ 1 trilhão em 2025

Presidente nacional do partido, Aécio Neves afirma que descontrole fiscal pressiona juros, reduz investimentos e pode levar o país a repetir crise econômica como a de 2015

PSDB critica escalada da dívida pública e alerta para juros acima de R$ 1 trilhão em 2025

O PSDB criticou a evolução da dívida pública brasileira e afirmou que o aumento do gasto com juros evidencia um cenário de deterioração fiscal com impactos diretos sobre a economia. A posição está registrada na edição nº 88 do Farol da Oposição, publicação semanal do Instituto Teotônio Vilela (ITV) e do PSDB, que reúne dados sobre endividamento, déficit e despesas com juros e sustenta que o país vive um desequilíbrio persistente nas contas públicas.

De acordo com o documento divulgado pelo partido, os juros pagos pelo setor público superaram R$ 1 trilhão em 2025, atingindo R$ 1,007 trilhão, conforme dados do Banco Central citados na publicação. O boletim destaca que o valor representa o maior patamar em 20 anos e afirma que o montante é comparável ao gasto anual do INSS com aposentadorias e pensões para cerca de 40 milhões de beneficiários, argumento usado pelo partido, presidido por Aécio Neves, para ilustrar o peso do endividamento sobre a capacidade do Estado de financiar políticas públicas e investimentos.

No texto, o PSDB afirma que as despesas públicas continuam crescendo acima das receitas e que o resultado fiscal do último ano voltou a ficar no vermelho. Segundo a publicação, o déficit efetivo teria sido de R$ 61,7 bilhões, mas o governo teria apresentado um número menor por meio da exclusão de despesas do cálculo final, reduzindo o resultado para um déficit de “apenas” R$ 13 bilhões. O boletim afirma que o ajuste foi possível com a retirada de gastos do fechamento oficial, incluindo precatórios, despesas relacionadas à fraude no INSS e despesas adicionais em áreas como educação, saúde e defesa, que somariam R$ 49 bilhões.

Aécio Neves afirmou que o partido vê o quadro fiscal com preocupação e defendeu maior rigor na condução das contas públicas. Para ele, o aumento do endividamento tende a manter juros elevados por mais tempo e reduz espaço para investimentos. “O custo da dívida atingiu níveis recordes e isso reduz a capacidade do Estado de investir e atender a população. O Brasil precisa retomar responsabilidade fiscal e transparência na apresentação dos números”, declarou o presidente do PSDB ao comentar o conteúdo da edição.

O boletim também destaca o avanço do endividamento e afirma que a dívida pública bruta chegou a 78,7% do PIB em 2025, percentual que, segundo o partido, cresceu de forma acelerada desde o início do atual governo. Os tucanos apontam que a última vez em que o país registrou escalada semelhante foi no período que antecedeu a crise econômica de 2015 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff, quando a elevação da dívida foi seguida por recessão e forte deterioração de indicadores econômicos.

Além dos números recentes, o documento menciona projeções oficiais para os próximos anos e sustenta que o endividamento pode continuar em alta. Segundo a publicação, caso se confirmem as estimativas, a dívida pública poderia se aproximar de 89% do PIB até o fim da década, com a previsão de novos déficits e piora dos resultados fiscais. O boletim também aponta que o déficit nominal, que inclui o custo dos juros, teria superado 8,3% do PIB, reforçando a avaliação do PSDB de que o país enfrenta um quadro de fragilidade fiscal.

Na mesma edição, o PSDB também menciona o caso do Banco Master, tratado no boletim como um escândalo de grandes proporções. A publicação afirma que o episódio pode ter afetado cerca de 1,6 milhão de clientes e envolver aproximadamente R$ 47 bilhões. O texto aponta ainda que figuras ligadas ao PT aparecem no entorno do caso e menciona pagamentos por serviços prestados à instituição, afirmando que as investigações sobre o episódio estão em andamento e que ainda não é possível mensurar completamente as responsabilidades.