
A ausência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em depoimento marcado na Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado aumentou a tensão entre o Executivo local e o Senado Federal. A oitiva, prevista para esta terça-feira (3), tinha como objetivo esclarecer eventuais conexões entre o Banco de Brasília (BRB) e as fraudes investigadas envolvendo o Banco Master.
Segundo a presidência da comissão, o comunicado de que Ibaneis não compareceria foi enviado na noite anterior à sessão. No ofício, o governador indicou o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, para representá-lo. A substituição, no entanto, não se confirmou, já que o secretário também não esteve presente.
Diante do impasse, o secretário-executivo da pasta, Alexandre Patury, compareceu ao Senado. A presença foi considerada insuficiente pelos parlamentares, que decidiram cancelar a oitiva.
A avaliação predominante entre os membros da CPI é que, diante da ausência do governador e de seu secretário, a comissão deve recorrer ao instrumento de convocação formal, mecanismo que torna o comparecimento obrigatório.
O depoimento de Ibaneis é considerado relevante para esclarecer o grau de conhecimento do governo do Distrito Federal sobre as operações sob investigação. Em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou ter tratado diretamente com o governador sobre a venda da instituição ao BRB. Ibaneis nega ter participado dessas negociações.
Com a possível convocação, o caso tende a ganhar novos desdobramentos políticos e institucionais, ampliando a pressão sobre o Palácio do Buriti em meio ao avanço das investigações no Senado.