
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que investigava a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, ocorridas na Praia Brava, em Florianópolis. De acordo com o relatório final, apenas um adolescente foi identificado como autor direto das agressões que levaram à morte de Orelha.
Com base nas conclusões da investigação, a polícia solicitou à Justiça a internação provisória do adolescente apontado como responsável pelo ataque. Segundo os investigadores, o jovem apresentou contradições relevantes ao longo dos depoimentos e omitiu informações consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos.
Os exames da Polícia Científica indicaram que Orelha sofreu um impacto contundente na cabeça, compatível com chute ou golpe com objeto rígido, como madeira ou garrafa. O ataque ocorreu na madrugada de 4 de janeiro. O animal chegou a ser socorrido por moradores da região, mas morreu no dia seguinte.
Durante a apuração, a Polícia Civil ouviu 24 testemunhas, analisou a conduta de oito adolescentes suspeitos e examinou mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras de monitoramento. Também foi utilizado um software de geolocalização e realizado o cruzamento de depoimentos.
Imagens analisadas pela investigação mostram o adolescente deixando um condomínio por volta das 5h25 e retornando cerca de meia hora depois, versão que contradiz o depoimento prestado por ele à polícia. Roupas utilizadas no dia do fato foram apreendidas e comparadas com registros em vídeo, reforçando os indícios apontados no inquérito.
Além do adolescente responsabilizado pela morte de Orelha, três adultos foram indiciados por coação, em razão de condutas adotadas durante o andamento das investigações.
No mesmo inquérito, a Polícia Civil concluiu que quatro adolescentes participaram da tentativa de afogamento do cachorro Caramelo. Todos foram responsabilizados por ato infracional análogo a maus-tratos. Por determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente, informações pessoais dos envolvidos seguem sob sigilo.
Orelha vivia há cerca de dez anos na Praia Brava e era cuidado de forma comunitária por moradores e frequentadores da região, onde era considerado um dos mascotes locais.