Ricardo Nunes descarta aliança do MDB com Lula, mas setor do PT articula Renan Calheiros para vice

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que não vê ambiente político para uma aliança entre o MDB e o PT na disputa presidencial de 2026. Segundo ele, a maioria do partido é contrária a um acordo com a legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Não vejo a maioria do partido concordar com isso. Muito pelo contrário”, declarou Nunes em mensagem enviada nesta quinta-feira.
Apesar da resistência no MDB, uma ala do PT defende a formação de uma chapa conjunta e trabalha com a possibilidade de o partido aliado indicar o nome para a vice-presidência. Entre os nomes citados nesse cenário estão os ex-presidentes do Senado Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA) e Eunício Oliveira (CE), além dos senadores Eduardo Braga (AM) e Simone Tebet (MS).
Ricardo Nunes também mencionou o embate político ocorrido nas eleições municipais de 2024. Segundo ele, o PT atuou diretamente contra a candidatura do MDB em São Paulo. “Lula foi desrespeitoso conosco na eleição de 2024. Poderia ter respeitado, mas optou por jogar todas as cartas contra a candidatura do MDB”, afirmou.
Integrantes da cúpula do MDB, ouvidos reservadamente, reforçam a resistência à aliança com o PT. Um deles ironizou a possibilidade de indicação de Michel Temer, ex-presidente da República e filiado histórico ao partido, para uma eventual composição.
Levantamento interno do MDB aponta que, dos 26 diretórios estaduais, 16 se posicionam contra uma aliança com o PT, enquanto 10 são favoráveis. Paralelamente, lideranças do partido avaliam a possibilidade de composição com o PSD para a eleição presidencial.
O PSD, presidido por Gilberto Kassab, reúne três governadores apontados como pré-candidatos ao Planalto: Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR). Kassab e o presidente do MDB, Baleia Rossi, mantêm conversas nos bastidores, mas ainda não há definição sobre uma aliança formal.