No Planalto, desfile é tratado como tiro no pé após reação nas redes e risco no TSE

O desfile da escola Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na primeira noite do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, passou a ser avaliado nos bastidores do Palácio do Planalto como um episódio de repercussão política negativa.
O evento contou com a presença de Lula em camarote disponibilizado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. A escola apresentou enredo dedicado ao presidente, mas acabou rebaixada na apuração divulgada na Quarta-Feira de Cinzas.
A homenagem provocou reação imediata da oposição. O senador Flávio Bolsonaro criticou o desfile nas redes sociais. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, afirmou que o caso pode configurar abuso de poder político e econômico.
Nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral, ministros avaliam a possibilidade de questionamentos sobre eventual propaganda eleitoral antecipada. A análise dependerá de eventual abertura de investigação e produção de provas.
Levantamento da plataforma Brandwatch apontou que 39% das publicações monitoradas sobre a homenagem registraram sentimento negativo, 35% positivo e 26% neutro.
O desfile também incluiu alas com referências críticas a grupos conservadores e menções ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que ampliou a repercussão política do episódio.
No Congresso, integrantes da bancada evangélica anunciaram que podem acionar a Procuradoria-Geral da República para apurar eventuais responsabilidades. Parlamentares alegam que recursos públicos destinados às escolas de samba teriam sido utilizados no desfile.
A escola recebeu recursos públicos, assim como as demais agremiações do Grupo Especial. O caso poderá ser analisado pela Justiça Eleitoral caso haja representação formal.