PSDB aponta queda de 31% na abertura de leitos do SUS no governo Lula

Levantamento do Farol da Oposição, iniciativa do PSDB, aponta queda de 31% na abertura de leitos hospitalares no SUS entre 2023 e 2025 e redução em áreas como psiquiatria, obstetrícia e pediatria.

PSDB aponta queda de 31% na abertura de leitos do SUS no governo Lula

O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), elevou o tom contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a divulgação de novo levantamento do Farol da Oposição, projeto do partido voltado à fiscalização de políticas públicas federais. Segundo o estudo, houve queda de 31% na abertura de leitos de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) nos três primeiros anos da atual gestão, em comparação com o mesmo período do governo Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com os dados compilados a partir do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e do Datasus, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025 foram abertos 7.050 novos leitos hospitalares no SUS. No triênio equivalente da gestão anterior, o número teria sido de 10.163 leitos. A análise exclui leitos exclusivos para covid-19 para evitar distorções estatísticas.

Para Aécio Neves, os números revelam retrocesso na saúde pública brasileira.

“O governo Lula se diz de ‘reconstrução’, mas continua desconstruindo o SUS. Até numa área em que, sabidamente, o governo Bolsonaro foi mal, a gestão do PT consegue ir pior. Quem sofre são os municípios, que pagam a conta da omissão federal, e os pacientes, que enfrentam filas de espera recorde”, afirmou o presidente do PSDB.

Total de leitos do SUS segue abaixo do pico histórico

O levantamento aponta que o Brasil encerrou dezembro de 2025 com 316.529 leitos de internação hospitalar disponíveis no SUS. O número é 10,7% inferior ao registrado em 2005, quando a série histórica atingiu seu maior patamar.

Segundo o estudo, a rede pública perdeu 38.137 leitos ao longo de duas décadas. O pior momento ocorreu em 2019, antes da pandemia, quando o total caiu para 294.968 leitos. Desde então, houve recuperação parcial, com abertura de 21.561 leitos entre 2020 e 2025. O relatório destaca que aproximadamente dois terços dessa expansão ocorreram ainda na gestão Bolsonaro.

Governo Lula registra queda em especialidades estratégicas

Além da desaceleração no ritmo geral de abertura de leitos hospitalares, o levantamento aponta redução em especialidades consideradas sensíveis.

Entre 2023 e 2025, os leitos psiquiátricos teriam diminuído 11%, com queda de 1.885 unidades. O total passou de 17.079 no fim de 2022 para 15.194 no encerramento de 2025.

Também houve redução de 679 leitos obstétricos e 302 leitos pediátricos no mesmo período.

O desempenho mais crítico, segundo o Farol da Oposição, está nos leitos clínicos, destinados a tratamentos não cirúrgicos como oncologia e cardiologia. Entre 2019 e 2021 foram abertos 20.278 leitos clínicos. Já entre 2023 e 2025, o aumento foi de apenas 627 unidades.

Crescimento populacional amplia pressão sobre o SUS

O estudo destaca que o encolhimento relativo da oferta de leitos no SUS ocorre em meio ao crescimento e envelhecimento da população brasileira. Desde 2005, a população total do país aumentou cerca de 15%, enquanto a quantidade de leitos hospitalares caiu 10,7%.

No mesmo intervalo, a população com mais de 60 anos cresceu 102%, grupo que concentra maior demanda por internações e procedimentos hospitalares.

Para Aécio Neves, os dados indicam que o governo federal falha em responder às necessidades estruturais do sistema público de saúde.

“O Brasil precisa ampliar a oferta de leitos e fortalecer a rede hospitalar, não reduzir o ritmo de expansão. O SUS não pode continuar sendo penalizado por falta de prioridade do governo federal”, afirmou.

O Ministério da Saúde ainda não se manifestou sobre os dados apresentados no relatório do PSDB.