Jato usado por Nikolas para percorrer o país em 2022 era de Daniel Vorcaro, apontam investigações

O avião utilizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira durante a reta final da campanha presidencial de 2022 pertencia ao empresário Daniel Vorcaro, segundo dados levantados a partir de registros de voo e informações societárias. A aeronave, um Embraer 505 Phenom 300, foi empregada nos deslocamentos da caravana Juventude pelo Brasil, iniciativa que percorreu ao menos nove estados e o Distrito Federal em apoio à reeleição de Jair Bolsonaro no segundo turno.
À época vereador em Belo Horizonte e recém-eleito deputado federal com votação expressiva, Nikolas Ferreira (PL-MG) intensificou a participação em eventos políticos e religiosos organizados em diversas capitais, especialmente no Nordeste. A agenda incluía encontros em igrejas evangélicas, mobilizações de jovens e atos públicos voltados à ampliação de votos nas regiões em que Lula havia obtido vantagem no primeiro turno.
Registros de sinais emitidos pelo transponder da aeronave indicam que o jato esteve nas mesmas cidades e datas das atividades divulgadas nas redes sociais do parlamentar e de integrantes da caravana. As rotas incluem Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Teresina, São Luís e Imperatriz, além de compromissos em Minas Gerais, São Paulo e Brasília nos dias que antecederam a votação.
Formalmente, o jato estava registrado em nome da empresa Prime You, que à época tinha Daniel Vorcaro como um dos sócios. A companhia informou que a aeronave operava como táxi aéreo e que os voos foram realizados dentro das normas do setor, alegando não poder divulgar detalhes sobre contratantes ou custos em razão de regras de confidencialidade e da Lei Geral de Proteção de Dados.
Procurado, Nikolas confirmou que utilizou o avião, mas declarou não saber quem era o proprietário. O deputado afirmou que viajou a convite do pastor Guilherme Batista, um dos líderes da caravana, e que não teve participação na organização logística dos deslocamentos. Em nota, disse que não possuía qualquer relação comercial ou pessoal com Vorcaro e que, em 2022, não havia informações públicas que indicassem irregularidades envolvendo o empresário.
A defesa de Daniel Vorcaro sustentou que a aeronave não era de propriedade pessoal do banqueiro, mas da empresa que operava o jato comercialmente. À época, o empresário integrava o quadro societário da Prime You.
O caso ganhou repercussão no contexto das investigações envolvendo o Banco Master e seus controladores. Vorcaro teve bens bloqueados por decisão judicial, embora as aeronaves registradas em nome da empresa não tenham sido incluídas nas medidas cautelares até o momento.
Os voos realizados durante a caravana não constaram na prestação de contas da campanha presidencial, uma vez que não se tratavam de atos oficiais do comitê eleitoral. Ainda assim, a revelação reacende o debate sobre financiamento indireto de agendas políticas e a transparência em deslocamentos de lideranças partidárias durante períodos eleitorais.