
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União solicitou a abertura de investigação para apurar viagens realizadas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em uma aeronave vinculada ao empresário Daniel Vorcaro durante o segundo turno das eleições de 2022. A representação foi apresentada à Corte de Contas no início de março e pede esclarecimentos sobre a origem dos recursos utilizados nos deslocamentos.
O pedido foi encaminhado pelo subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, que levantou questionamentos sobre o financiamento das viagens feitas pelo parlamentar mineiro em um jatinho associado a empresas do grupo PrimeYou, estrutura que, segundo reportagens, teria ligação com Vorcaro.
O processo foi distribuído para relatoria do ministro Antonio Anastasia, que deverá analisar a representação e decidir se haverá abertura formal de procedimento para investigação.
Na manifestação encaminhada ao Tribunal de Contas, o Ministério Público solicita a verificação da legalidade dos voos realizados durante a campanha eleitoral de 2022. A representação levanta dúvidas sobre quem custeou os deslocamentos e se os gastos foram corretamente registrados na prestação de contas eleitoral apresentada à Justiça.
Segundo informações citadas no pedido, o deputado teria utilizado a aeronave durante agendas políticas realizadas em diferentes estados no período do segundo turno das eleições presidenciais. O documento menciona a possibilidade de irregularidades caso os custos não tenham sido declarados ou caso haja relação com recursos públicos ou financiamento irregular de campanha.
O Ministério Público também pede que o Tribunal de Contas compartilhe informações com outros órgãos de controle e investigação, incluindo o Tribunal Superior Eleitoral, a Polícia Federal, o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. A intenção é verificar eventuais movimentações financeiras relacionadas às viagens e esclarecer as circunstâncias em que os voos foram realizados.
Caso sejam identificadas irregularidades, a representação sugere que seja aberta uma Tomada de Contas Especial para avaliar possíveis prejuízos ao erário e apurar responsabilidades administrativas.
Em nota divulgada após a repercussão do caso, Nikolas Ferreira afirmou que não tinha conhecimento sobre a propriedade da aeronave utilizada durante as viagens de campanha. Segundo o deputado, o voo ocorreu no contexto de um convite para participar de um evento político voltado à mobilização de eleitores no segundo turno das eleições de 2022.
O parlamentar declarou que sua participação ocorreu exclusivamente para cumprir agendas políticas e que não possuía relação pessoal ou comercial com o proprietário do avião. Ele afirmou ainda que, à época, o nome de Daniel Vorcaro não era amplamente conhecido no debate público e que não havia informações que indicassem qualquer irregularidade relacionada à aeronave.
O caso agora aguarda análise inicial do Tribunal de Contas da União, que decidirá se os elementos apresentados na representação justificam a abertura de investigação formal sobre os voos realizados durante a campanha eleitoral.