
A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado ampliou nesta quarta-feira o alcance das investigações relacionadas ao caso Banco Master e aprovou novas medidas para aprofundar a apuração de possíveis irregularidades financeiras. Entre as decisões tomadas pelo colegiado está a quebra dos sigilos fiscal, telefônico e telemático do empresário Fabiano Zettel, apontado nas investigações como cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
A sessão foi conduzida pelo presidente da comissão, o senador Fabiano Contarato (PT-ES), e teve como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), responsável por conduzir parte das diligências que envolvem o escândalo financeiro investigado. Os requerimentos foram aprovados em bloco pelos parlamentares e autorizam uma série de novas frentes de apuração relacionadas ao conglomerado investigado.
Com a decisão, a CPI solicitará ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras relatórios de inteligência sobre movimentações financeiras de Fabiano Zettel referentes ao período entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. O objetivo é identificar eventuais transações suspeitas ou vínculos financeiros que possam ajudar a esclarecer a estrutura de operações investigadas no caso.
Zettel foi novamente preso pela Polícia Federal no início deste mês em São Paulo no contexto das investigações que envolvem o Banco Master. Ele é citado nos inquéritos como um dos nomes ligados ao núcleo financeiro investigado pelas autoridades.
Além da quebra de sigilos, os senadores aprovaram pedido de informações ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça para acesso a documentos e provas já reunidos pela Polícia Federal nas investigações em andamento. O material poderá ser compartilhado com a CPI para subsidiar o trabalho do colegiado.
Outro requerimento aprovado solicita à Polícia Federal o envio de informações relacionadas à morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. O caso ocorreu enquanto o investigado estava sob custódia da corporação após um episódio em que atentou contra a própria vida dentro da carceragem.
A CPI também requisitou dados sobre a Operação Compliance Zero e pediu esclarecimentos ao Banco Central a respeito de processos administrativos que resultaram no afastamento de servidores da instituição em desdobramentos da investigação financeira.
Entre as diligências aprovadas, os parlamentares solicitaram ainda à Agência Nacional de Aviação Civil informações sobre a empresa Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. A comissão quer ter acesso à lista de passageiros que utilizaram aeronaves da companhia em voos realizados desde 2025, além de dados sobre a propriedade das aeronaves e os responsáveis pela empresa.
Na mesma reunião, os senadores ouviram o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos, citado em apurações relacionadas ao caso Banco Master. Após uma breve manifestação inicial em que afirmou que a empresa atua dentro da legalidade, Mansur optou por permanecer em silêncio durante as perguntas dos parlamentares.
Também estava prevista a participação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD-RS), convidado a falar sobre a atuação de organizações criminosas no estado e políticas de segurança pública. O chefe do Executivo gaúcho, no entanto, não compareceu à reunião do colegiado.
Com as novas medidas aprovadas, a CPI do Crime Organizado amplia o escopo das investigações em torno do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e busca reunir novas informações que possam esclarecer a estrutura de relações financeiras e empresariais associadas ao caso.