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MP investiga pré-candidato do PSB ao governo do Pará por compra de mansão de R$ 4 milhões

Por Brasil no Centro Publicado em 12 de março de 2026 às 12:19 4 min de leitura
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MP investiga pré-candidato do PSB ao governo do Pará por compra de mansão de R$ 4 milhões

O Ministério Público abriu investigação para apurar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o prefeito de Ananindeua e pré-candidato ao governo do Pará, Daniel Santos (PSB-PA). No centro das apurações está a compra de uma mansão de alto padrão localizada em um condomínio de luxo no litoral do Ceará, avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões.

O imóvel fica no município de Fortim, a cerca de duas horas de Fortaleza, em uma área conhecida por reunir residências de alto padrão voltadas para veraneio. Segundo os investigadores, a casa teria sido adquirida por meio da empresa Agropecuária JD, ligada ao prefeito.

Promotores suspeitam que parte dos recursos utilizados para pagar o imóvel tenha origem em transferências feitas por empresas que mantêm contratos com a prefeitura de Ananindeua. De acordo com documentos analisados no inquérito, valores recebidos por fornecedores do município teriam sido repassados posteriormente para quitar parcelas da residência.

Um dos casos citados na investigação envolve uma empresa fornecedora de materiais escolares para a rede municipal de ensino. Após receber pagamento da prefeitura por contratos firmados com a Secretaria de Educação, a empresa teria transferido parte do valor no dia seguinte para pagamentos relacionados ao imóvel no Ceará.

Outro episódio analisado pelos investigadores menciona uma empresa fornecedora de produtos de limpeza que também teria recebido recursos públicos e realizado posteriormente uma transferência destinada à compra da casa de veraneio.

Os investigadores afirmam que o padrão de movimentação financeira identificado sugere a possibilidade de utilização de empresas contratadas pela administração municipal para custear despesas pessoais do prefeito.

Além da aquisição da residência, o Ministério Público também analisa outras movimentações patrimoniais consideradas incompatíveis com a renda declarada do gestor. Entre os bens citados no processo estão uma aeronave registrada em nome da empresa ligada ao prefeito e uma fazenda avaliada em milhões de reais.

Durante diligências realizadas em endereços vinculados ao caso, investigadores encontraram também relógios de luxo avaliados em cerca de R$ 4 milhões em um apartamento ligado ao prefeito em Fortaleza. Entre os itens apreendidos estavam peças de marcas internacionais consideradas de alto valor no mercado.

O Ministério Público aponta ainda que empresas teriam contribuído para pagamentos relacionados à aeronave utilizada pelo prefeito. Depoimentos colhidos durante a investigação indicam que diferentes companhias teriam feito depósitos que ajudaram a custear parte do equipamento.

Segundo dados declarados à Justiça Eleitoral em 2024, Daniel Santos informou possuir patrimônio aproximado de R$ 4,8 milhões. Diante das suspeitas de evolução patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, o Ministério Público solicitou o bloqueio de bens que podem superar R$ 130 milhões.

Entre os bens incluídos no pedido estão imóveis, a aeronave registrada em nome da empresa ligada ao prefeito e uma propriedade rural avaliada em cerca de R$ 16 milhões.

Parte da investigação chegou ao Supremo Tribunal Federal após a defesa tentar incluir no processo a deputada federal Alessandra Haber (MDB-PA), esposa do prefeito. Segundo os promotores responsáveis pelo caso, a parlamentar não é investigada no processo.

Após uma operação policial, investigadores afirmam que houve tentativa de transferir a mansão no Ceará para o nome da deputada. A escritura, no entanto, não teria sido concluída porque seria necessário comprovar a origem dos recursos utilizados na compra.

A defesa do prefeito apresentou pedido ao Supremo Tribunal Federal solicitando a anulação das investigações, alegando irregularidades na condução do processo. O caso teve tramitação suspensa temporariamente por decisão do ministro Alexandre de Moraes, enquanto a Corte analisa os argumentos apresentados.

O prefeito Daniel Santos não respondeu aos pedidos de manifestação encaminhados pela imprensa até o momento da publicação desta reportagem.