Operação mira facções em 15 estados e cumpre 112 prisões por tráfico de drogas e armas

Uma ofensiva nacional contra o crime organizado mobilizou forças de segurança em 15 estados nesta terça-feira e colocou sob pressão grupos investigados por tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e atuação em facções criminosas. A ação integra um esforço coordenado das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, com articulação da Polícia Federal, e prevê o cumprimento de 112 ordens de prisão e 174 mandados de busca e apreensão em diferentes regiões do país.
A operação reúne estruturas estaduais e federais em uma estratégia simultânea para atingir núcleos criminosos que vinham atuando em frentes diversas. Participam das ações policiais civis, militares e penais, além da Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais, secretarias estaduais de segurança e a Secretaria Nacional de Políticas Penais, dentro da rede das FICCOs, hoje espalhada pelo país.
Um dos principais focos da ofensiva ocorre em Campinas, no interior de São Paulo, onde a Operação Dry Fall foi montada para desarticular um grupo apontado como ligado ao Comando Vermelho. Nessa frente, os investigadores cumprem 37 mandados de prisão temporária e 34 de busca e apreensão, além de medidas de sequestro e bloqueio de mais de 100 contas bancárias. O volume financeiro rastreado pode chegar a R$ 70 milhões. Segundo a Polícia Federal, a apuração mira o tráfico de drogas e crimes violentos associados à disputa de território no interior paulista.
No Maranhão, no Ceará e no Espírito Santo, a Operação Ictio busca desmontar uma estrutura suspeita de movimentar cocaína e crack em larga escala, com ocultação patrimonial por meio de empresas de fachada e bens registrados em nome de terceiros. Nessa etapa, são executados sete mandados de prisão temporária, 30 ordens de busca e apreensão e medidas de bloqueio de R$ 297 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo, maquinário pesado e arma de fogo.
No Paraná, a Operação Blue Sky foi aberta contra investigados associados ao PCC em cidades do oeste do estado. A ação cumpre nove mandados de prisão e 23 de busca e apreensão em municípios como Cascavel, Foz do Iguaçu, Matelândia, Vera Cruz do Oeste e Céu Azul. A investigação aponta tráfico de drogas e violência vinculada à disputa territorial.
Outras frentes também foram ativadas ao longo da manhã. No Rio Grande do Sul, a Operação Célula Oculta mira um grupo suspeito de atuar no tráfico de drogas na Serra Gaúcha e no Vale do Rio dos Sinos, com 11 mandados de prisão preventiva e 18 de busca. Na Bahia, a Operação Epílogo cumpre sete mandados de prisão e oito de busca para enfrentar redes de tráfico e organizações criminosas. No Espírito Santo, a Operação Turquia II investiga desvio e revenda de entorpecentes apreendidos, com cinco prisões temporárias, três buscas e um afastamento de função pública. No Amazonas, a Operação Rastreio apura o uso do terminal de cargas do Aeroporto Eduardo Gomes para escoamento de drogas, com quatro mandados de prisão preventiva e quatro de busca.
Em Alagoas, a Operação Última Fatia voltou-se contra um grupo suspeito de usar uma pizzaria como fachada para o tráfico de drogas em Satuba, na região metropolitana de Maceió. Já no Pará, duas operações, Covil II e Custus Legis, apuram desde a atuação de integrantes do Comando Vermelho até a suspeita de colaboração de uma ex-servidora do Tribunal de Justiça com organização criminosa.
A Polícia Federal informou que a ação coordenada foi estruturada para ampliar a capacidade de resposta do Estado contra o avanço das facções e interromper fluxos financeiros e logísticos usados por grupos criminosos. A operação segue em andamento, e o balanço final deve ser atualizado pelas autoridades ao longo do dia.