Política com conteúdo. Centro com clareza.
terça-feira, 29 de setembro
Assinar
Agora
Medidas de Lula às vésperas da eleição exigem ajuste de R$ 33 bilhões no Orçamento de 2027Trump e Xi anunciam avanço comercial e envio de pandas aos EUA após encontro em WashingtonGreve da Caixa: agências retomam atendimento parcial após decisão do TSTLula tem 39% e Flávio 34% no 1º turno, diz pesquisa QuaestGilmar Mendes cobra investigação sobre precatórios do Banco Master e cita contrato de R$ 427 milhões
Política

Desembargador que liberou socorro ao BRB tem filhos em cargos no governo Ibaneis

Por Brasil no Centro Publicado em 30 de março de 2026 às 15:45 3 min de leitura
Compartilhar
Desembargador que liberou socorro ao BRB tem filhos em cargos no governo Ibaneis

A decisão que permitiu ao Governo do Distrito Federal avançar com medidas para socorrer o Banco de Brasília voltou a gerar questionamentos após a revelação de vínculos familiares no núcleo da administração local. O desembargador Roberval Belinati, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, responsável por autorizar o uso de imóveis públicos na operação envolvendo o BRB, tem dois filhos ocupando cargos comissionados na gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB).

Roberval Belinati (TJDFT) foi o responsável por derrubar decisões anteriores que impediam o uso de ativos públicos para cobrir o rombo bilionário ligado ao caso envolvendo o Banco Master. Em sua decisão, o magistrado considerou que as restrições judiciais poderiam comprometer a autonomia do Executivo local e dificultar a recuperação da instituição financeira.

O aval judicial permitiu a utilização de imóveis públicos avaliados em bilhões de reais como parte da estratégia do governo para evitar riscos mais graves ao banco estatal, incluindo a possibilidade de intervenção federal. A medida foi tratada como essencial pela equipe econômica do Distrito Federal para conter os efeitos da crise.

Paralelamente à decisão, chama atenção o fato de dois filhos do desembargador integrarem a estrutura do governo local. Um deles atua na Companhia de Planejamento do Distrito Federal, enquanto o outro ocupa função na Secretaria de Economia. Ambos exercem cargos de confiança, com remuneração vinculada à administração distrital.

O caso ganha relevância em meio ao debate sobre transparência e governança na gestão pública, especialmente em situações que envolvem decisões de grande impacto financeiro e institucional. A tramitação do processo também chamou atenção por ter passado por outros gabinetes antes de chegar ao desembargador, após magistrados se declararem impedidos de atuar no caso.

Procurado, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal informou que magistrados não comentam decisões judiciais. Os citados também não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

A decisão envolvendo o BRB ocorre em um momento sensível para as contas públicas do Distrito Federal e amplia a pressão por esclarecimentos sobre os critérios adotados em operações que envolvem patrimônio público e recursos estratégicos.