
O governador Ratinho Junior decidiu alterar o tabuleiro político do Paraná ao filiar ao PSD a jornalista Cristina Graeml, sua principal adversária na eleição municipal de Curitiba em 2024. O movimento ocorre em meio à reorganização das forças para 2026 e tem como pano de fundo a disputa contra o senador Sergio Moro, que deixou o União Brasil e migrou para o PL com o objetivo de concorrer ao governo estadual.
Ratinho Junior (PSD) anunciou a filiação em vídeo publicado nas redes sociais, ao lado da ex-candidata, destacando convergências programáticas e a necessidade de ampliar alianças. O gesto surpreendeu parte do próprio partido, já que a campanha municipal foi marcada por forte enfrentamento político entre os dois grupos.
Cristina Graeml havia ingressado no União Brasil a convite de Sergio Moro, mas perdeu espaço após a mudança do senador para o PL. Com a nova configuração, as vagas ao Senado na chapa ligada a Moro ficaram comprometidas por outros nomes do campo conservador, o que abriu caminho para sua saída.
Agora no PSD, Graeml passa a ser considerada peça estratégica para compor a disputa majoritária em 2026. Internamente, o partido avalia sua presença tanto como candidata ao Senado quanto como possível vice em uma chapa ao Palácio Iguaçu. O cenário permanece indefinido, especialmente diante das dificuldades do grupo governista em consolidar um nome capaz de enfrentar Moro nas pesquisas de intenção de voto.
O reposicionamento também ocorre no mesmo momento em que o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, sinalizou que não pretende deixar o cargo para concorrer ao governo estadual. A decisão reduziu as alternativas imediatas do PSD e aumentou a pressão por uma solução política que una competitividade eleitoral e discurso menos ideológico.
Durante a campanha de 2024, Graeml adotou postura crítica em relação ao grupo de Ratinho Junior e ao próprio PSD nacional. O embate foi marcado por acusações mútuas e por uma narrativa de enfrentamento ao chamado sistema político. A mudança de posição agora revela um cálculo pragmático diante de um cenário que exige alianças mais amplas.
Ao anunciar a filiação, Ratinho Junior afirmou que o diálogo recente revelou pontos de convergência em temas como desenvolvimento econômico e gestão pública. Graeml declarou que a política exige construção de pontes e alianças quando há objetivos maiores em jogo.
A movimentação reforça a tentativa do governador de afastar o debate estadual de radicalizações e concentrar o discurso em estabilidade administrativa e crescimento regional. Em um ambiente político marcado por polarizações nacionais, o Paraná passa a ser observado como campo estratégico onde moderação e pragmatismo podem definir o rumo da disputa.