PT enfrenta reação interna após filiação de Kátia Abreu e expõe divisão no partido

Grupo ligado à esquerda petista contesta entrada da ex-senadora e questiona coerência ideológica da sigla

PT enfrenta reação interna após filiação de Kátia Abreu e expõe divisão no partido

A filiação da ex-senadora Kátia Abreu ao Partido dos Trabalhadores provocou reação imediata dentro da própria legenda e abriu um novo foco de tensão interna. Integrantes de uma corrente do partido no Tocantins formalizaram pedido para que a direção nacional invalide a entrada da ex-ministra.

O movimento foi liderado por membros da Articulação de Esquerda, grupo minoritário dentro do PT, que apresentou recurso à Executiva Nacional questionando o histórico político da nova filiada. No documento, os signatários apontam divergências entre a trajetória de Kátia Abreu e os princípios defendidos pela legenda.

Kátia Abreu (PT-TO), que recentemente deixou o PP, passou a integrar o partido com discurso de apoio ao governo federal e participação nas articulações políticas nacionais. Sua chegada, no entanto, não foi recebida de forma unânime e gerou contestação entre setores mais ideológicos da sigla.

Os críticos argumentam que a atuação política da ex-senadora ao longo dos anos esteve distante das pautas tradicionalmente defendidas pelo partido, especialmente em temas ligados à reforma agrária, movimentos sociais e organização trabalhista. O histórico de posicionamentos anteriores também foi citado como fator de incompatibilidade.

A contestação interna evidencia um momento de tensão dentro do partido, que busca ampliar sua base política ao mesmo tempo em que enfrenta resistências de correntes mais alinhadas à sua origem ideológica.

A decisão sobre o pedido ainda não tem data definida para análise, mas deve ser discutida em reunião da Executiva Nacional. O episódio reforça o desafio de conciliar estratégias de expansão política com a preservação de identidade partidária, em um cenário cada vez mais marcado por alianças amplas e rearranjos eleitorais.