
O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), segue enfrentando desafios internos ao tentar se revalidar politicamente. Após não conseguir migrar para outras legendas e ser rejeitado por setores do próprio partido, Cunha permanece filiado ao Republicanos e tenta viabilizar sua candidatura a deputado federal. Contudo, sua permanência na legenda não é vista com bons olhos por todos. O principal opositor dentro da sigla é o senador Cleitinho Azevedo (PL), que já se posicionou contra a inclusão de Cunha na chapa de Minas Gerais, demonstrando resistência à sua presença, especialmente após o histórico de controvérsias envolvendo o ex-deputado.
Cleitinho, que também planeja disputar o governo de Minas Gerais, afirmou categoricamente que não faria campanha junto a Cunha e criticou publicamente a presença do ex-deputado na legenda. O impasse sobre a candidatura de Cunha traz à tona divisões dentro do Republicanos, com o partido sendo dividido entre os que defendem sua permanência e os que preferem uma ruptura, temendo que o envolvimento de Cunha prejudique a imagem da sigla. Por outro lado, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), se eximiu de responsabilidades, afirmando que a decisão sobre Cunha foi tomada a nível local.
Além das críticas, Cunha segue tentando ampliar sua base em Minas Gerais, estado onde tem se estabelecido com uma rede de rádios evangélicas. Ele tenta conquistar a região e evitar a concorrência direta com sua filha, Dani Cunha (União Brasil), no Rio de Janeiro. Contudo, seu nome ainda é associado a um passado controverso, marcado por sua participação no processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) e por sua condenação na Operação Lava Jato, que culminou na sua prisão e posterior anulação da sentença pelo STF.
A presença de Eduardo Cunha no cenário político levanta questões sobre o futuro do Republicanos e os rumos das eleições de 2026, especialmente no contexto de uma disputa acirrada entre diferentes figuras do campo conservador. A decisão sobre sua candidatura, no entanto, parece longe de ser definida, e o imbróglio dentro da sigla reflete as dificuldades que o partido enfrenta em meio à polarização crescente do cenário político.