
Com a proximidade das eleições de outubro, a política brasileira presencia a entrada de novas figuras públicas que buscam alavancar suas carreiras políticas com o capital simbólico e a visibilidade adquiridos nas mídias sociais, programas de TV e outros meios. A movimentação de celebridades na política tem gerado discussões sobre a qualidade e os interesses por trás dessa nova leva de candidatos. Entre os nomes mais comentados estão Gracyanne Barbosa, Edmundo, Silvia Abravanel e Rico Melquiades, que se preparam para disputar cargos no legislativo e tentar conquistar uma fatia significativa do eleitorado.
Gracyanne Barbosa, uma influenciadora fitness conhecida por sua participação no Big Brother Brasil de 2025, oficializou sua entrada na política ao se filiar ao Republicanos. O anúncio, feito por meio das redes sociais do partido, não especificou ainda qual cargo ela disputará, mas a entrada da influenciadora reflete o apetite crescente de influenciadores no cenário político.
A socialite Val Marchiori também optou por migrar para a política e se filiou ao Republicanos, confirmando sua pré-candidatura a deputada federal por São Paulo. Marchiori, conhecida por sua trajetória pública e pelas batalhas que enfrentou na vida pessoal, usou sua história para justificar sua decisão de se lançar na política, prometendo lutar pelos interesses da população.
A presença de figuras de programas de televisão também é forte. A apresentadora Silvia Abravanel, filha do famoso apresentador Silvio Santos, resolveu colocar seu nome à disposição para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, filiada ao PSD. Com sua longa trajetória no SBT, ela é um nome conhecido e bastante popular entre os telespectadores da emissora.
Rico Melquiades, o vencedor de A Fazenda 13, também fez sua aposta na política e se filiou ao PSDB. O ex-participante do reality show e influenciador já expressou sua intenção de lutar por mais acesso à cirurgia plástica pelo SUS, uma bandeira que carrega por conta de sua própria experiência com procedimentos estéticos. Além disso, Melquiades já teve envolvimento com o debate público ao participar da CPI das Bets, onde se defendeu das críticas em relação à sua renda.
O esporte também tem gerado candidatos de peso. O ex-jogador de futebol Luís Fabiano, ícone do São Paulo e da Seleção Brasileira, se filiou ao MDB e se prepara para disputar um cargo político, embora ainda sem definir qual posição. O partido, por sua vez, acredita que o atleta pode ajudar a impulsionar a discussão sobre o poder transformador do esporte na vida das pessoas.
No Rio de Janeiro, Edmundo, ex-jogador também do São Paulo e Vasco, se filiou ao PSDB. A postura do ex-atacante em apoiar a sigla é um reflexo de sua vontade de representar os interesses do estado, e ele já afirmou em público que pretende trabalhar pela transformação da região.
A tendência de celebridades na política não é exclusiva de figuras do meio artístico. Tayane Gandra, mãe do Menino Gui, uma criança símbolo do Vasco com Epidermólise Bolhosa, se filiou ao PSDB e é uma das apostas para a pré-candidatura a deputada federal. Sua luta pessoal por seu filho a coloca em uma posição de destaque no partido, com uma agenda focada na saúde e direitos das pessoas com doenças raras.
Além de nomes tradicionais, também há aqueles com um histórico mais polêmico. A atriz e youtuber Antonia Fontenelle se filiou ao PSDB, alegando ser uma defensora do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sua candidatura traz à tona o debate sobre a crescente presença de figuras de diferentes áreas da mídia, algumas com passagens de controvérsias, no universo político.
O cantor maranhense Manoel Gomes, conhecido pelo sucesso de “Caneta Azul”, também entrou para o cenário político, filiado ao Avante, com planos de disputar uma vaga como deputado estadual em São Paulo. Seu retorno à política é uma demonstração do apetite das celebridades em utilizar sua notoriedade para angariar votos.
Com tantas novas faces, a política brasileira se vê diante de um novo cenário. Se, por um lado, a popularidade pode ser um atrativo, por outro, surgem questionamentos sobre a superficialidade das propostas e a eficácia das ações de figuras com trajetórias em campos tão distantes da gestão pública.