Centrão resiste à candidatura de Zema como vice de Flávio Bolsonaro, criticando declarações sobre o Nordeste

A articulação entre Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL) para a eleição de 2026 enfrenta resistência no núcleo do Centrão. Embora o ex-governador de Minas Gerais tenha se mostrado como uma das opções preferenciais de Flávio Bolsonaro, principalmente após o cenário de empate nas pesquisas, o nome de Zema como vice tem gerado controvérsias, especialmente devido a declarações polêmicas sobre o Nordeste.
Em 2023, em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Zema comparou o Brasil a um “produtor rural”, sugerindo que as regiões Norte e Nordeste recebiam mais atenção e recursos do que o Sul e Sudeste, que, em sua visão, produzem mais. Essas declarações foram interpretadas como preconceituosas e potencialmente prejudiciais para qualquer chapa que busque unificar o país, especialmente em um cenário eleitoral onde as divisões regionais são frequentemente exploradas pelos adversários.
O Centrão, tradicionalmente cauteloso com declarações que possam gerar divisões regionais, vê o posicionamento de Zema como um risco para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Para os aliados do Centrão, a fala de Zema pode ser usada contra a chapa, especialmente por adversários ligados ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que podem aproveitar o tema para criar uma narrativa de divisão e preconceito.
Apesar das críticas, o ex-governador de Minas segue como uma das apostas preferenciais de Flávio Bolsonaro, especialmente após a divulgação de uma pesquisa que coloca o senador em empate técnico com o atual presidente. Recentemente, ambos publicaram um vídeo em tom de brincadeira nas redes sociais, onde Zema ironizou sobre a possibilidade de Flávio ser seu vice, gerando especulações e reações mistas dentro do cenário político.
A postura do Consórcio Nordeste também não demorou a aparecer. A entidade reagiu criticando Zema, destacando que o Nordeste e Norte, historicamente, sempre sofreram com políticas públicas que não priorizavam o desenvolvimento dessas regiões. Essa leitura, para muitos, parece refletir uma visão antiquada e excludente do Brasil, algo que pode ser explorado contra Zema nas eleições.