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Estudo aponta alta de gravidez precoce em cidades governadas por evangélicos

Por Brasil no Centro Publicado em 23 de abril de 2026 às 17:59 3 min de leitura
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Estudo aponta alta de gravidez precoce em cidades governadas por evangélicos

Levantamento revela que em municípios sob gestão de prefeitos evangélicos pentecostais, a gravidez na adolescência cresce, junto com a evasão escolar e queda na vacinação contra HPV.

Um estudo recente realizado por Marcela Mello e João Garcia trouxe à tona dados alarmantes sobre o impacto das administrações locais de prefeitos ligados a grupos (neo)pentecostais no bem-estar dos adolescentes, especialmente entre as meninas. A pesquisa, que analisou os efeitos de políticas públicas em cidades governadas por políticos de orientação religiosa conservadora, aponta que essas gestões resultaram em um aumento significativo da gravidez precoce, evasão escolar e uma redução preocupante na vacinação contra o HPV.

Segundo os dados do estudo, em cidades de pequeno porte onde prefeitos ligados a igrejas pentecostais assumiram a liderança, a taxa de gravidez adolescente aumentou de 7,5 para 10,5 nascimentos por mil meninas, o que representa um aumento de cerca de 40%. Este aumento foi especialmente notável entre as meninas mais novas, que ainda estavam na fase final do ensino fundamental quando a administração foi iniciada.

Outro dado alarmante é a queda de 19 pontos percentuais na cobertura vacinal contra o HPV entre meninas de 9 a 11 anos. Além disso, o índice de evasão escolar feminina subiu de 4% para quase 7% durante o período analisado. As meninas nessas cidades, que dependem mais diretamente da escola pública municipal, viram sua vulnerabilidade sanitária e educacional aumentar consideravelmente.

O estudo também revelou que nas escolas municipais, a oferta de educação sexual caiu 12,5 pontos percentuais sob essas gestões, enquanto nas escolas estaduais do mesmo município, o padrão não se alterou. Esse fenômeno está relacionado à maior intervenção política nas escolas, refletida na rotatividade de diretores e na redução do conteúdo de educação sexual, essencial para a formação de adolescentes bem-informados sobre seus direitos e saúde sexual. A pesquisa não encontrou alterações significativas na oferta de contraceptivos nas unidades de saúde, indicando que a principal mudança estava no âmbito da educação, e não no acesso a serviços médicos.

O levantamento demonstra que a falta de políticas públicas efetivas sobre educação sexual e reprodutiva pode resultar em graves consequências. Em contraste, em cidades governadas por outras lideranças conservadoras sem vínculo com essas correntes religiosas, o estudo não observou um impacto tão grande sobre a gravidez precoce nem sobre a oferta de educação sexual. A intervenção direta nas escolas, no entanto, mostrou ser um fator crucial na retração da educação sexual, resultando em uma piora significativa nos indicadores de saúde e educação.

O estudo também sugere que as políticas baseadas na abstinência ou na moral sexual religiosa têm sido ineficazes. Ao retirar a educação sexual, essas administrações não apenas falham em proteger os jovens, mas também os tornam mais vulneráveis à gravidez precoce e a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Esse dado serve de alerta para os defensores de uma agenda moralizadora: os discursos sobre a preservação da família e da moralidade só fazem sentido se forem avaliados pelas consequências práticas que geram na vida das pessoas.