STF abre inquérito contra deputado Adail Filho por suspeita de corrupção

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB-AM) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. A medida foi tomada após solicitação da Procuradoria-Geral da República, que apontou indícios de irregularidades envolvendo recursos públicos destinados ao município amazonense de Coari.
Segundo os autos, as suspeitas envolvem repasses de verbas federais, incluindo valores oriundos de emendas parlamentares. O processo também cita o nome do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, pai do parlamentar, no contexto das apurações.
A investigação teve origem após a prisão em flagrante de três pessoas no Aeroporto de Brasília. O grupo transportava uma quantia elevada em dinheiro vivo e não apresentou comprovação considerada satisfatória sobre a origem dos recursos. Durante a operação, também foram apreendidos documentos e aparelhos eletrônicos.
A partir da análise do material recolhido, investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas, além de possíveis conexões entre repasses públicos e empresas privadas com contratos junto à prefeitura de Coari.
A suspeita central é de que pessoas jurídicas teriam sido utilizadas para viabilizar fraudes em processos licitatórios e posterior desvio de dinheiro público. A Polícia Federal ficará responsável pelas diligências iniciais determinadas pelo Supremo.
Na decisão, Moraes fixou prazo de 48 horas para o envio de documentos pendentes e estabeleceu 60 dias para a realização das primeiras medidas investigativas.
O caso reacende o debate sobre controle de emendas parlamentares e fiscalização de recursos públicos em municípios brasileiros. Nos últimos anos, órgãos de controle vêm cobrando mais transparência, rastreabilidade e critérios técnicos na aplicação dessas verbas.
Até o momento, Adail Filho e demais citados poderão apresentar esclarecimentos e exercer plenamente o direito de defesa ao longo da investigação.